Investidores vão à Venezuela pós-Maduro para explorar oportunidades

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EXCLUSIVO-Investidores se dirigem à Venezuela pós-Maduro para explorar oportunidades

Dezenas de investidores norte-americanos e de outros países planejam viagens ao país nas próximas semanas para encontros com autoridades e líderes empresariais, avaliando oportunidades em energia, finanças e tecnologia, em meio ao restabelecimento de canais diplomáticos.

No radar dos mercados, investidores de peso — entre gestores de fundos de hedge, patrimônio de famílias de alta renda e players do setor energético — já planejam visitas rápidas à Venezuela nas próximas semanas. O objetivo é claro: aproximar-se de figuras-chave do governo e do empresariado para entender o ambiente de investimento e traçar possibilidades em setores de relevância para o país e para o cenário regional. Além disso, há a expectativa de conhecer de perto quem pode catalisar a reabertura econômica do país, após um período de tensão e renegociação de vínculos com Washington.

As empreitadas são capitaneadas por grupos de consultoria que atuam como ponte entre capitais e mercados emergentes. Trans-National Research, com base em Nova Jersey, a Orinoco Research, boutique de pesquisa sediada em Caracas, e a Signum Global Advisors compõem o trio por trás de viagens organizadas com o intuito de promover encontros estratégicos e debates com representantes venezuelanos e com o setor privado internacional. Segundo fontes próximas aos organizadores, os primeiros passos para estruturar as agendas já vêm sendo confirmados, ainda que alguns detalhes permaneçam sob sigilo.

A notícia de maior interesse para o público corporativo é que o clima de abertura ganhou fôlego desde a captura de Nicolás Maduro pelos EUA no início deste ano e o subsequente restabelecimento de laços diplomáticos entre os dois países. O repique de otimismo é visto como uma oportunidade de discutir reconciliação macroeconômica e reordenação da dívida, além de abrir portas para projetos de energia, infraestrutura, finanças e tecnologia. Como disse um investidor, \”é uma mola comprimida de oportunidades para quem busca navegar fronteiras com potencial de transformação\”.

Jesse Cole, presidente da Sky Drop Capital, integra a lista de viajantes interessados em visitar a Venezuela em uma das próximas etapas da agenda. Ele descreve o país como um território que volta a chamar atenção de escritórios de gestão de patrimônios e de fundos de private equity, que já sondam opções para alocar recursos significativos — em faixas que variam de US$ 25 milhões a US$ 100 milhões por investidor. Cole relembra um capítulo anterior da relação com o país, quando instalou uma fábrica local em 1998, porém acabou se retirando em 2011 por pressões do governo da época. Hoje, ele observa que as condições estão se tornando mais estáveis e atraentes para novos ciclos de investimento, sobretudo em energia, finanças e tecnologia.

VIAGENS E AGENDAS ORGANIZADAS

Uma viagem inicial, agendada para 16 e 17 de março, está sendo organizada pela Trans-National Research com a finalidade de estabelecer relações com mercados de fronteira e acompanhar a evolução de indicadores macroeconômicos e políticos. De acordo com uma fonte familiarizada com o tema, a organização está focada em oferecer aos investidores um mapa para manobrar com cautela e visão de longo prazo em um ambiente volátil, ao mesmo tempo em que busca confirmar compromissos de estabilidade que possam atrair capital externo.

Já a Orinoco Research planeja outra viagem em abril, com a participação de autoridades venezuelanas de alta linha de frente em reuniões privadas, onde a prioridade é reunir informações, compartilhar ideias sobre reestruturação da dívida e entender os parâmetros de atuação em setores como petróleo e infraestrutura. Segundo Elias Ferrer, fundador da Orinoco, gestores de ativos e credores são os principais participantes, embora empresas ligadas ao petróleo e ao mercado imobiliário também tenham se inscrito. O objetivo, segundo Ferrer, é conectar investidores com uma agenda prática que ajude a criar condições para que o capital flua com mais rapidez para projetos produtivos no país.

Uma terceira frente de atuação é a da Signum Global Advisors, que está organizando uma conferência de dois dias, de 22 a 24 de março, em território venezuelano, com a participação de cerca de 55 pessoas. Aproximadamente metade dos inscritos são gestores de ativos ou fundos de hedge — muitos deles já adquiriram ou detêm dívidas emitidas pelo governo venezuelano ou pela PDVSA — enquanto os demais participantes representam investidores de diversos setores. Além dos encontros de negócios, a agenda inclui atividades de lazer, como uma visita à praia de Los Roques, para conectar o lado profissional ao ambiente estratégico do país.

REUNIÕES DE ALTO NÍVEL NA AGENDA

As agendas preliminares indicam encontros com nomes de peso da atual estrutura interina da Venezuela. Entre os convocados, Delcy Rodríguez, que ocupa a presidência interina, aparece em várias programações. Também constam no roteiro o CEO da PDVSA, Hector Obragón, e executivos de órgãos-chave. A Trans-National já sinalizou reuniões com a ministra das Finanças, Anabel Pereira, e com a formuladora de políticas do banco central, Laura Guerra, enquanto a agenda da Orinoco inclui o ministro de Minas, Héctor Silva, e o presidente-executivo da bolsa de valores, José Grasso. Ferrer, da Orinoco, preferiu não comentar a programação detalhada, e representantes de ministérios de Comunicação, PDVSA e do banco central não responderam aos pedidos de entrevista. A bolsa de Caracas também não respondeu aos contatos.

O ritmo acelerado de negociações também chega aos corredores da Casa Branca. Em declaração à imprensa, a porta-voz Taylor Rogers destacou que empresas de mineração, petróleo e gás estão acelerando seus passos para investir em novos mercados venezuelanos. Ela mencionou avanços após encontros com Delcy Rodríguez e um esforço coordenado para que o capital flua novamente para a economia venezuelana. Enquanto isso, o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, encerrou uma viagem ao país e reforçou a mensagem de engajamento econômico, no tom de que o mercado venezuelano está ganhando espaço no radar internacional.

Em síntese, a movimentação indica um novo capítulo para a Venezuela no radar de mercados globais. Não se trata apenas de visitas rápidas: trata-se de uma tentativa organizada de criar redes de contato que podem abrir portas para projetos de energia, infraestrutura e tecnologia, além de uma possível readequação de dívida. Para leitores comuns, no fim das contas, a notícia é um lembrete de que, em um cenário de conjunturas imprevisíveis, as fronteiras econômicas seguem se transformando — e a curiosidade empresarial não parou. O que você acha que isso pode significar para o dia a dia do investidor brasileiro, já atento a oportunidades no cenário regional?

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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