BYD registra o pior fevereiro em seis anos no mundo, enquanto Dolphin Mini lidera vendas no Brasil
Enquanto o mercado chinês puxa os números globais para baixo, a BYD se consolida no Top 5 brasileiro e lidera emplacamentos no varejo com o Dolphin Mini
No cenário global, fevereiro de 2026 não foi gentil com a BYD: o mês marcou o menor desempenho da marca em seis anos, desconsiderando o período crítico da pandemia. 41% foi a queda registrada na comparação com o mesmo mês de 2025, sinalizando um recuo que não depende apenas de apelo por parte da fabricante. No total, foram 190.190 veículos vendidos no mês, ante mais de 322 mil em fevereiro do ano anterior. Já o acumulado do primeiro bimestre aponta para uma retração ao redor de 35,7%.
Por trás dessas cifras há um contexto mundial que explica, em parte, o recuo. No centro da operação da BYD está a China, um mercado que vem amadurecendo após anos de expansão acelerada. Além disso, especialistas apontam sinais de saturação no país, o que reforça a leitura de que o recuo é mais complexo do que uma simples mudança de gosto. No conjunto das razões, destacam-se três pilares principais:
- Corte de incentivos: o governo chinês reduziu subsídios para a compra de veículos eletrificados, empurrando margens e interrompendo a pressão de crescimento.
- Guerra de preços: com mais de 150 fabricantes no território, a competição agressiva reduz margens e exige intervenções para evitar prejuízos estruturais.
- Híbridos em queda: os plug‑ins foram os mais impactados, com quedas de 44% nas vendas, enquanto modelos 100% elétricos recuaram 36,3%.
Já do outro lado do mundo, o Brasil oferece uma visão bem diferente. O mercado interno permanece otimista com a BYD, que não apenas lidera o segmento de eletrificados, como já aparece entre as cinco marcas que mais vendem carros no país no acumulado de 2026. Em números, a BYD emplacou 9.801 unidades no ano até agora, correspondendo a 41,3% do mercado de eletrificados no Brasil. No canal de varejo, o Dolphin Mini chamou atenção ao ser o carro mais vendido de fevereiro, superando até modelos populares como o Fiat Strada e o Hyundai Creta.
Na prática, essa dualidade entre desempenho externo e força local revela um retrato curioso sobre o avanço da eletrificação. Enquanto o mercado global parece atravessar um período de ajuste, o dia a dia do consumidor brasileiro já mostra que a tecnologia pode ganhar espaço de forma mais expressiva no curto prazo. Mas o que isso muda na prática para quem está pensando em comprar um carro novo? No fim das contas, fica claro que a adoção de elétricos no Brasil vem se tornando uma realidade cada vez mais presente, mesmo que o ritmo global ainda esteja em construção.