Latam-GPT: Conheça a inteligência artificial feita para a América Latina
Projeto liderado pelo Centro Nacional de IA do Chile (Cenia) contou com a ajuda de outros países latinos – entre eles, o Brasil
Latam-GPT surge como uma inovação de peso no cenário de IA da região, nasce no Chile e é liderado pelo Cenia. A proposta é unir forças com vizinhos como Brasil, Uruguai e Argentina para reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas nos EUA e na Europa. O objetivo é criar uma ferramenta que realmente entenda a realidade latino-americana, levando em conta gírias, sotaques e a memória histórica da região, diminuindo preconceitos e erros culturais comuns em modelos estrangeiros.
O investimento inicial foi de US$ 550 mil, o que equivale a R$ 2,8 bilhões, e o Latam-GPT foi treinado a partir de uma base de dados gigantesca — equivalente a milhões de livros em português e espanhol. Essa base visa sustentar o desenvolvimento de aplicações úteis em áreas como saúde e educação, fortalecendo a autonomia tecnológica da região e a proteção da cultura latina.
Na prática, o Latam-GPT não funciona como uma plataforma de chat, mas como um amplo repositório de informações que alimenta ferramentas criadas por desenvolvedores. O projeto recebeu apoio do CAF, usa a nuvem da Amazon e contou com a participação do Brasil por meio de um acordo assinado pelo MCTI. A base técnica é o Llama 3 (tecnologia aberta da Meta), adaptado para entender nuances regionais. Enquanto modelos globais dominam boa parte da história europeia, o Latam-GPT coloca no centro a história da América Latina e do Caribe.
As primeiras aplicações já em foco envolvem robôs de atendimento capazes de falar a língua local de forma natural para companhias aéreas e lojas. No setor público, a ideia é facilitar a logística de hospitais e oferecer materiais escolares que dialoguem melhor com o cotidiano dos estudantes. Além disso, há um esforço para preservar línguas indígenas, incluindo um tradutor em desenvolvimento para o Rapa Nui, da Ilha de Páscoa.
Mesmo com o avanço, os criadores destacam que não se trata de competir em igualdade com gigantes como a OpenAI, que dispõem de orçamentos imensos. O foco é a soberania tecnológica, ou seja, manter o controle sobre a própria tecnologia. Olhando para o futuro, o plano é instalar um supercomputador de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 26 milhões) em uma universidade chilena, para que a IA continue aprendendo e representando a parcela latina do continente.
Entre os destaques, veja os pilares do projeto:
- Latam-GPT não é uma plataforma de chat, mas um grande repositório de dados para alimentar ferramentas criadas por programadores.
- Financiamento de CAF com infraestrutura em nuvem da Amazon, com participação do Brasil via MCTI.
- Base tecnológica no Llama 3 da Meta, adaptada para entender expressões locais, dando ênfase à América Latina e ao Caribe.
- Aplicações iniciais vão de robôs de atendimento a gestão logística de hospitais e materiais educativos alinhados ao cotidiano dos alunos, com preocupação de preservar línguas como o Rapa Nui.
- O foco não é enfrentar grandes nomes por dinheiro, e sim consolidar a soberania tecnológica na região a longo prazo.