Dia da Internet Segura: Brasil lidera ataques digitais na LATAM

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Dia da Internet Segura: Brasil lidera ataques digitais na América Latina

Relatórios apontam crescimento de deepfakes, recorde de ataques cibernéticos e riscos ampliados com IA generativa

No Dia da Internet Segura, celebrado neste 10 de fevereiro, o Brasil volta a olhar para os desafios da segurança online, da transparência da informação e do uso responsável da inteligência artificial. A iniciativa europeia que inspira ações globais desde 2004, hoje acolhe ações em mais de 180 países, reunindo governos, empresas e cidadãos em torno de boas práticas digitais. No cenário brasileiro de 2026, essa conversa ganha ainda mais peso diante da aceleração da IA generativa e de um ano eleitoral pela frente, que aumenta a circulação de conteúdos enganosos e de deepfakes cada vez mais convincentes.

Os deepfakes não são apenas uma curiosidade tecnológica. Eles se tornaram um campo de ataque que já repercute diretamente na confiança institucional, no varejo financeiro e no ecossistema de fintechs. Dados do Identity Fraud Report 2025–2026 mostram que ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, com o país respondendo por 39% dos deepfakes detectados na América Latina. Especialistas destacam a sofisticação crescente de técnicas que imitam rostos, vozes e documentos, ampliando vulnerabilidades, especialmente onde há muitos documentos de identificação em circulação.

No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou impressionantes 315 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, representando cerca de 84% de todas as investidas na região. Entre os números, destacam-se 309 bilhões de ataques DDoS, 41,9 milhões de malwares e 28,1 mil ataques de ransomware, com uma média semanal de 2.766 tentativas por empresa. Segundo a DeepStrike, o país foi o séptimo mais atacado do mundo em 2025, lembrando a expansão da economia digital e a presença de sistemas legados com falhas estruturais que facilitam invasões.

Quanto ao uso de IA na desinformação, as eleições de 2026 já acendem o alerta. Prevê-se que, em outubro, mais de 155 milhões de brasileiros possam ir às urnas para escolher presidente, governadores e deputados. Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a Resolução n.º 23.732/2024, que rotula como ilícita a produção de conteúdos com IA que manipulem imagem ou voz para enganar o eleitor. “A internet, hoje, é quase uma necessidade básica, e a segurança digital precisa entrar no cotidiano das pessoas”, ressalta um especialista ouvido pela reportagem.

Embora ainda não exista uma métrica oficial que quantifique o volume total de fake news, pesquisas indicam uma exposição elevada da população. Levantamentos do Instituto Locomotiva indicam que quase 90% dos brasileiros afirmam ter acreditado em notícias falsas, com 63% dessas informações associadas a campanhas eleitorais. No dia a dia, esse cenário reforça a necessidade de atitudes simples, porém eficazes, para reduzir riscos no ambiente online.

Boas práticas para reduzir os riscos digitais aparecem como orientações práticas para períodos eleitorais e datas de varejo. Entre elas, destacam-se:

  • Senhas fortes e autenticação em dois fatores (2FA): o uso de senhas longas e únicas, aliado à verificação em duas etapas, reduz significativamente a possibilidade de invasões. Ainda assim, especialistas observam que a adoção dessa tecnologia ainda está abaixo do ideal no Brasil.
  • Atenção a golpes cada vez mais realistas: conteúdos criados com IA conseguem simular mensagens de empresas, órgãos públicos ou bancos, tornando golpes mais convincentes — incluindo versões baseadas em ferramentas como ChatGPT e variantes criadas para fins criminosos.
  • Atualizações e proteção de dispositivos: manter sistemas, aplicativos e antivírus atualizados é uma defesa simples contra falhas exploradas por criminosos, já que atualizações costumam corrigir vulnerabilidades.
  • Uso consciente de redes sociais e dados pessoais: evite responder a pedidos urgentes, clicar em links suspeitos ou seguir perfis duvidosos; limitar a quantidade de dados pessoais compartilhados reduz riscos de clonagem de identidade.
  • Redes públicas, backups e trabalho remoto: utilizar redes protegidas, manter backups regulares e adotar cuidados extras no home office ajudam a conter ataques de ransomware e invasões corporativas.

Além disso, o Digital Brazil 2024 aponta que 144 milhões de brasileiros utilizam redes sociais, com média diária de 3 horas e 37 minutos conectados. Diante desse cenário, vale a pena adotar uma postura cética: desconfie de ofertas com preços muito abaixo do mercado e verifique a legitimidade de vendedores antes de fechar qualquer negócio online.

Para manter a prática simples e eficaz, várias vozes da área reforçam que hábitos consistentes criam uma primeira linha de defesa no dia a dia. Em resumo: segurança digital não é apenas uma tecnologia, é um conjunto de escolhas que cada usuário pode (e deve) adotar com prioridade.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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