Trump ordena às agências dos EUA que cessem já o uso da IA da Anthropic

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Trump ordena às agências dos EUA que cessem imediatamente o uso da IA da Anthropic

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No cenário tumultuado das tensões entre a Anthropic e a administração de Donald Trump, o chefe da nação tomou uma medida que promete rever o uso de inteligência artificial no governo: interromper de forma imediata todas as atividades com a IA da empresa. A decisão vem após o desenrolar de uma disputa em que o Pentágono buscava flexibilizar diretrizes éticas para que os modelos fossem integrados a uma rede interna, sob condições específicas de segurança. O prazo para que a Anthropic aceitasse disponibilizar seus modelos para uso governamental venceu, não houve acordo e, na prática, as agências federais receberam o comunicado para interromper o uso da tecnologia da empresa. O desfecho foi só mais uma peça de um quebra-cabeça envolvendo acordos, contratos e a corrida pela hegemonia em IA entre grandes players do setor.

Em meio à contestação, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, havia fixado um prazo até as 17h01 para que o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, aceitasse disponibilizar os modelos da empresa para a nova rede do Pentágono, com revisitadas diretrizes éticas. O término do prazo fez com que Trump determinasse, de forma unânime, que nenhum prestador de serviço ligado às forças armadas pudesse realizar atividade que envolvesse a tecnologia da Anthropic. Foi um movimento rápido, que deixou aberta apenas uma via de negociação — ou mudanças de postura — até que a situação fosse revista pela máquina administrativa da nação.

Na manhã da sequência, Trump comentou em suas redes que “os lunáticos de esquerda da Anthropic” teriam cometido um erro ao tentar impor termos de serviço à defesa, afirmando que as decisões sobre o país cabem a ele, não a “uma empresa de IA da esquerda radical, fora de controle, gerida por pessoas que não conhecem o mundo real”. O tom foi de confrontação direta, com o presidente insistindo que a constituição deve prevalecer sobre qualquer contrato privado.

Entretanto, pouco tempo depois, os desdobramentos repercutiram externamente: o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou que chegou a um acordo com o DoD para fornecer IA às redes militares classificadas, buscando preencher o vazio deixado pela Anthropic. A mensagem pública de Altman sinalizou que a empresa manteria uma linha de segurança rigorosa, alinhada às exigências do DoD, em uma tentativa de manter o terreno sob o controle da IA dentro das normas legais e regulatórias.

Altman foi além ao citar que “as mesmas linhas vermelhas que guiaram o conflito com a Anthropic foram incorporadas no acordo com a OpenAI”, segundo trechos citados pela imprensa. Dois dos princípios centrais de segurança, afirmou ele, continuam guiando as decisões — proibindo a vigilância interna massiva e colocando a responsabilidade humana no uso de armas e sistemas autônomos. O Pentágono, por sua vez, manifestou concordância com esses termos, abrindo espaço para uma parceria que pode sinalizar uma nova etapa na relação entre governo e IA.

Logo após o vencimento do prazo, o governo deixou claro que a Anthropic seria classificada como risco para a cadeia de fornecimento e que, a partir de então, nenhum fornecedor ou parceiro que trate de assuntos com as forças armadas poderia manter relação comercial com a empresa. O anúncio, feito pelo Secretário Hegseth em uma postagem na rede social, ressaltou o compromisso de não permitir que “caprichos ideológicos” atrapalhem a segurança nacional. O Pentágono também indicou que, mesmo com o bloqueio imediato, haveria um período de transição de até seis meses para encerrar contratos pendentes com a Anthropic. Paralelamente, a Administração de Serviços Gerais informou que seus contratos com a empresa encerrou, reforçando o coto de restrições.

Em resposta, a Anthropic afirmou que não recebeu comunicações diretas do DoD ou da Casa Branca sobre o estágio das negociações. Em comunicado, a empresa disse estar “profundamente entristecida” com os acontecimentos das últimas 24 horas e garantiu que contestará juridicamente qualquer classificação de risco na cadeia de fornecimento. A companhia reforçou que a designação é, em sua leitura, sem precedentes e citou o desejo de defesa de seus princípios.

Entenda o que está em jogo: a Anthropic, na mira do Pentágono, encontra-se em meio a uma discussão que vai além de contratos. Trata-se de um debate público sobre como empresas de IA devem operar sob o olhar de políticas de segurança nacionais, ainda que o objetivo seja ampliar a capacidade tecnológica do governo. No dia a dia, isso pode significar mudanças na forma como plataformas de IA são contratadas, testadas e implementadas em ambientes sensíveis, com impactos diretos sobre inovação, compras públicas e a relação entre setor público e privado.

Pontos-chave

  • Medidas rápidas do Pentágono e de órgãos públicos para limitar a atuação da Anthropic após o prazo sem acordo.
  • Contrato anterior da Anthropic com o DoD, avaliado em $200 milhões para dois anos, com período de transição de até seis meses.
  • OpenAI avança com acordo semelhante, apresentando nova linha de segurança para redes classificadas.
  • A Anthropic sustenta que não houve contato direto sobre negociações e planeja contestar a classificação de risco.

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Jornalista

Fernanda Costa

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