Portugal pode ser dos países da UE mais atingidos por tarifas de Trump

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Como Portugal pode ser um dos países da UE mais prejudicados pelas novas tarifas de Trump

A administração de Donald Trump assinou uma nova ordem executiva, que impõe uma taxa global de 10% sobre as importações, em vigor desde terça-feira. Conforme apontam especialistas na área, Portugal pode figurar entre os países da União Europeia mais impactados por essas tarifas. O Supremo Tribunal dos EUA havia declarado inconstitucional o regime tarifário anterior, abrindo caminho para uma nova configuração. Na prática, esse novo cenário busca enfrentar desequilíbrios de pagamentos, ao mesmo tempo em que introduz tarifas adicionais temporárias sobre importações.

Entrando em vigor no dia 20 de fevereiro, a nova medida estabelece uma tarifa básica de 10% sobre produtos originários de países que não contam com isenções específicas. Essa cobrança se soma a tarifas anteriores já existentes, elevando a pressão sobre setores exportadores que mantêm forte relação comercial com os EUA.

Segundo análises do Global Trade Alert, projeto ligado à Fundação St. Gallen para a Prosperidade através do Comércio, Portugal pode estar entre os países da UE mais afetados por esse conjunto de tarifas. A avaliação parte da comparação entre tarifas médias aplicadas aos EUA, em quatro cenários distintos, para entender quem leva a sacola mais pesada ao custo final das exportações.

  • No primeiro cenário, temos o regime anterior à decisão do Supremo, com regras que diferenciavam isenções para alguns setores na relação EUA–UE.
  • Logo após a decisão, surge a expectativa de manter parte das tarifas, mas com correções que poderiam reduzir ou manter o nível de proteção.
  • Com a aplicação atual da tarifa adicional de 10% nos países sem isenções, a conta muda para muitos setores.
  • E há ainda a possibilidade de o Presidente avançar para uma escalada adicional, com a tarifa aumentando até 15%, caso opte por intensificar a medida rapidamente.

Na prática, as contas indicam que, para a União Europeia, mesmo com a substituição das tarifas anteriores pela nova taxa de 10%, a tarifa média para as exportações da UE para os EUA fica próxima dos níveis anteriores, cerca de 11,74%, caindo para algo como 10,45% apenas em alguns cenários. Embora pareça uma mudança modesta, não há garantia de vantagem para a UE, e o risco de que o patamar médio se mantenha ou se eleve pode afetar a competitividade de várias cadeias produtivas.

Entre os países da UE, Portugal surge como candidato a sofrer o peso maior. O setor da cortiça — histórico e estratégico — pesa muito nas exportações portuguesas para os EUA, especialmente por ser líder mundial na produção e venda de rolhas para vinho. Com a nova Tarifa, Portugal pode ver a soma de tarifas anteriores com a cobrança adicional baixar a margem de isenções, o que eleva o custo agregado dessas exportações. A própria avaliação aponta que a taxa média aplicada a Portugal subiu de 9,49% antes da decisão para 9,76% com a implementação da nova tarifa. Assim, Portugal aparece como o único país da UE, e entre poucos no mundo, onde esse agravamento já ocorreu e pode se aprofundar caso a taxa salte para 15%.

A explicação de especialistas é simples: antes, havia isenções por país para determinados produtos; com a nova base legal utilizada para substituí-la, essas isenções passaram a não valer mais da mesma forma. Desse modo, itens como cortiça e vestuário — ativos importantes nas exportações para os EUA — perdem parte das isenções de que se beneficiavam, tornando-se mais caros aos importadores americanos. A consequência prática é um risco maior de retração de demanda ou de necessidade de recalibração de preços e de estratégias comerciais.

Diante de um mercado norte‑americano ainda decisivo para setores específicos de Portugal, essa dinâmica representa uma ameaça real. Cortiça, vestuário e outros itens com peso relevante nas exportações para os EUA podem sentir o peso de uma tarifa que deixou de oferecer exceções comuns entre EUA e UE. Embora a esperança de que as tarifas recíprocas pudessem favorecer uma recuperação para alguns setores exista, a leitura atual aponta para um cenário de maior cautela para produtores portugueses.

No fim das contas, o que tudo isso significa para o leitor comum? Em termos práticos, há uma sinalização de que o comércio entre Portugal e os EUA pode enfrentar custos adicionais, com reflexos potenciais no preço de itens importados e nas escolhas de consumo. Além disso, reforça a importância de acompanhar o desenrolar dessas políticas comerciais e, se possível, buscar diversificação de mercados para reduzir a dependência de um único destino.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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