Em mercado maduro, Samsung lança mais três celulares com IA
Modelos vão custar de R$ 7.499 a R$ 11.499 no Brasil e já entraram em produção nas fábricas de Campinas e Manaus
No cenário atual, em que a maioria dos usuários já tem um smartphone, manter a base de clientes é desafio estratégico. Foi nesse contexto que a Samsung anunciou, no dia 25, em San Francisco (EUA), a chegada de três novos aparelhos da linha Galaxy S, o conjunto topo de linha da marca. O trio chega com preços entre R$ 7.499 e R$ 11.499 no mercado brasileiro, com a promessa de ir além da simples venda de hardware.
Os dispositivos já começaram a ser produzidos nas plantas de Campinas (SP) e ; a vitrine nas lojas deve ocorrer em até três semanas, e o estoque para venda chegará logo em seguida. A estratégia não é apenas colocar novos aparelhos no radar do consumidor, mas ampliar o ecossistema ao redor do produto, com foco em software, serviços e opções de crédito.
O principal gancho, segundo a própria Samsung, é a integração avançada de inteligência artificial. Além de hardware de última geração, a proposta é manter o consumidor dentro de um ecossistema que envolve software, serviços de saúde e bem‑estar, bem como carteira digital. “O negócio de smartphones é um ecossistema. Vai muito além de simplesmente vender aparelhos”, resume Gustavo Assunção, vice‑presidente sênior de vendas e marketing da Samsung no Brasil.
O mercado de celulares vive sob pressão: a escassez de chips de memória, que começou a exigir mais cautela em 2025, tende a pressionar as vendas globais neste ano e pode ter desdobramentos até 2027. Ainda assim, o setor mostrou atuação forte no último trimestre, com remessas mundiais crescendo 1,9% ao longo de 2024, totalizando 1,26 bilhão de unidades. O quarto trimestre, por sua vez, registrou alta de 2,3% (≈336,3 milhões de unidades). O desempenho positivo foi impulsionado pela demanda por modelos topo de linha, justamente a faixa da linha Galaxy S26. A Samsung teve o seu melhor 4º trimestre desde 2013 e fechou o ano com crescimento de 7,9%, enquanto a Apple (iPhone) avançou 6,3%, ambas com participação de 19% no ranking global.
No Brasil, o país figura como o maior mercado de celulares da América Latina e puxou o desempenho da região, com remessas crescendo 3% e somando 140,5 milhões de unidades em 2025, segundo a consultoria Omdia. A Samsung lidera o mercado nacional, com uma fatia de 40%, seguida por Motorola (24%), Xiaomi (16%), Apple (7%) e realme (6%).
A competição acelerou no país a partir de 2024, com a entrada de novas marcas chinesas como Oppo, Honor, Transsion (Infinix, em parceria com a Positivo) e vivo (opera sob a marca Jovi). Esse movimento elevou a oferta num mercado já próximo da saturação, onde a média de smartphone por habitante gira em torno de 1,3, segundo a Fundação Getulio Vargas. Além disso, o comportamento do consumidor mudou após a pandemia: muitos usuários passaram a manter o mesmo aparelho por cerca de três anos, em vez de trocá‑lo anualmente. No fim das contas, as empresas precisam persuadir clientes da concorrência, não apenas abrir espaço no mercado.
Na linha Galaxy S, o índice de retenção é de quase 90%, o que dá margem para a Samsung apostar no S26 com mais confiança. “Isso nos dá segurança para lançar o S26”, diz Assunção. Trata‑se da terceira geração do Galaxy com IA: a primeira chegou em 2024, quando a IA ainda era novidade no celular; em 2025 a linha ganhou recursos de automação, e agora entra em cena a IA agêntica, capaz de executar ações de forma quase imperceptível. Em palavras do executivo, trata‑se de uma transformação silenciosa.
Para o topo de faixa, a linha S tende a se beneficiar de programas de financiamento já tradicionais da Samsung. A empresa iniciou esse caminho com uma parceria com o banco Itaú, que se mantém estável ao longo do tempo, além do New Galaxy Clube, lançado no ano passado. Nesse formato, o cliente paga uma mensalidade que já inclui seguro e tem 18 meses para trocar de celular, com o celular usado valendo 50% do valor na troca. Outras opções passam por parcerias com operadoras com descontos e redes de varejo que dividem o valor em até 36 prestações.
Observação: o universo dos sistemas operacionais segue majoritariamente dividido entre Android, do Google, que domina 70,7% mundialmente, e iOS, da Apple, com 28,6%. O desafio para a Samsung é conquistar parte dos consumidores que ainda optam pelo Android por questões de custo ou preferência, o que torna essencial oferecer diferenciais proprietários, como a personalização do sistema. “Existe um nível de customização [do sistema] que é desenvolvido pela Samsung e exclusivo dos nossos aparelhos. A própria tecnologia Galaxy AI é exemplo disso”, reforça Assunção.
Além das tendências globais, já se vê no radar nacional que os próximos aparelhos aparecem mais finos e leves, uma combinação que mantém a experiência prática no dia a dia. E tudo isso acontece num Brasil que, além de ser o maior mercado da região, vem impulsionando a percepção de tecnologia entre o público consumidor. A partir de tudo isso, a Samsung aposta que a IA integrada, aliada a um ecossistema sólido e a condições de compra mais atrativas, pode transformar a relação do brasileiro com a linha Galaxy S.
Para o leitor comum, a mensagem é clara: diante de um mercado maduro e competitivo, a aposta é oferecer tecnologia de ponta com serviços que facilitem o dia a dia, mantendo o usuário cada vez mais dentro do universo Galaxy. No fim das contas, a escolha pode depender menos do aparelho isolado e mais da conveniência de manter tudo conectado — com IA acompanhando, ajudando e justificando a próxima atualização.