Alesp abre processo que pode levar à cassação do deputado Lucas Bove
Deputado Lucas Bove (PL) é alvo de dois processos por violência política que podem levar à perda de mandato na Alesp
Em uma sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi aprovada a abertura de dois processos contra o deputado Lucas Bove (PL) que, na prática, podem resultar na cassação de seu mandato. O caso inicial foi apresentado pela deputada Ediane Maria (PSol) contra Bove e contra o Tenente Coimbra (PL), apontando quebra de decoro parlamentar, violência política de gênero e racismo. O relator designado para essa ação é o deputado Eduardo Nóbrega (Podemos).
Um segundo processo foi protocolado pela deputada Mônica Seixas (PSol), do Movimento Pretas, também por violência política. O relator dessa peça é o deputado Emídio de Souza (PT). Após a aprovação pelo Conselho, os dossiês seguem para a fase de relatoria e, em seguida, para votação no plenário. Além disso, um pedido da deputada Paula Nunes (PSol), integrante da Bancada Feminista, também por violência política, foi arquivado.
No âmbito processual, o Ministério Público Federal (MPF) investiga Bove pela prática de violência política de gênero, com base nas denúncias apresentadas pelas parlamentares. Além disso, o deputado responde no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por agressão contra a ex-esposa, Cíntia Chagas. Tais ocorrências já geraram novas denúncias ao Conselho de Ética da Alesp, e, no momento, a análise do tema está parada. O presidente do colegiado, o deputado Delegado Olim (PP), afirmou que o assunto deverá ser apreciado ainda neste semestre.
Na mesma sessão, foram arquivados os pedidos de perda de mandato das deputadas Paula Nunes e Mônica Seixas, integrantes da Bancada Feminista e do Movimento Pretas, respectivamente. Os três parlamentares entraram na pauta após um bate-boca no plenário, em setembro do ano passado, quando Bove se dirigiu de maneira contundente às colegas, proferindo frases duras como “Me chama de agressor, me chama de corrupto, porra!”. No dia a dia da política, esse tipo de episódio reacende debates importantes sobre limites, respeito e proteção a quem atua na linha de frente do Legislativo.
No balanço geral, o que está em jogo não são apenas protocolos internos, e sim a possibilidade de uma responsabilização pública que pode mexer com o cenário político local. Para o eleitor, fica a pergunta: quais impactos isso terá na prática na forma como as casas legislativas lidam com denúncias de violência política e com casos de decoro? No fim das contas, a agenda de ética pública volta a ganhar relevância em meio a ações que misturam Brasil, política e cidadania no dia a dia da Alesp.