Tarifas de Trump entram em vigor durante discurso no Congresso
Novas tarifas dos EUA após decisão judicial passam a valer; Brasil tem tratamento diferenciado e o foco recai sobre tecnologia
Hoje, o presidente Donald Trump aparece diante do Congresso para o tradicional discurso do Estado da União. O momento, ainda cercado de protocolo, funciona como balanço de gestão e palco para anunciar ações que ele pretende seguir; ele mesmo já deixou claro que o texto é longo e que há muito a dizer. Com o início previsto para as 23h, no horário de Brasília, quem quiser acompanhar precisa ficar acordado até tarde. Além de pautas econômicas, o tema costuma ditar o tom do noticiário, e números de sondagens ajudam a entender o humor do eleitorado antes das próximas eleições.
Entre as leituras de cenário, destacam-se pesquisas que sinalizam ceticismo sobre a economia. Segundo levantamento da Quinnipiac, apenas 39% dos eleitores aprovam a condução econômica sob Trump, enquanto 56% desaprovam. Já a sondagem integrada pela NPR, PBS News e Marist, divulgada no fim do ano passado, aponta aprovação em torno de 36%, o patamar mais baixo da série histórica de seis anos. No dia a dia, fica claro que a população está preocupada com o custo de vida, especialmente com moradia e alimentação, aspectos que naturalmente pesam na avaliação do governo.
No radar político, não há como ignorar o componente das eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, que ocorrem em novembro. Esse cenário aumenta a pressão para ações rápidas em áreas sensíveis ao bolso do contribuinte, o que costuma mexer com o humor do eleitorado e com a lista de prioridades do Congresso. Além disso, no campo da tecnologia, assombrações sobre consumo de energia estão em pauta: com o avanço das inteligências artificiais, o que se discute é como sustentar infraestrutura de data centers sem onerar ainda mais famílias e empresas.
Em meio a esse caldo, as tarifas despontam como tema de grande impacto. A Suprema Corte analisou a última leva de medidas, e a decisão foi clara: a legislação dos anos 1970 usada para justificar tarifas não autorizava um movimento unilateral. Em termos práticos, isso significa que o governo não pode mais impor tarifas adicionais sem a anuência do Congresso. De olho no caminho legal, Trump anunciou, então, uma tarifa global de 15%, com caráter temporário de 150 dias até que haja aprovação legislativa. Com isso, o Brasil viu efeitos diretos na prática, livrando-se de tarifas recíprocas de 10% anunciadas em abril de 2025 e da sobretaxa de 40% divulgada em julho de 2025, em uma carta de Trump dirigida ao presidente Lula.
Alguns produtos brasileiros estratégicos ganharam dois freios de alívio ao mesmo tempo. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que houve isenções para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves. Em termos amplos, o país foi visto como um dos grandes beneficiários do recuo nas tarifas. Além disso, minerais críticos, semicondutores e alguns componentes eletrônicos, como processadores, memórias e maquinário para fabricar semicondutores, também escaparam da cobrança. No dia a dia, isso pode significar uma menor pressão de custos para setores de tecnologia e indústria brasileira.
Para além da retórica, o que fica em jogo é justamente a relação entre custo, competitividade e inovação. No longo prazo, a gestão dessas tarifas deve impactar tanto a atração de investimentos quanto a iluminação de novas fontes de energia para sustentar o crescimento tecnológico. No fim das contas, a discussão envolve como equilibrar segurança comercial com estímulo à indústria interna, especialmente em áreas estratégicas como minerais, chips e máquinas de produção.
Mas o que isso muda na prática para você, leitor? Em linhas gerais, é possível que haja oscilações nos preços de alguns itens importados, bem como no custo de insumos para produção no país. Por outro lado, a negociação com o mercado global pode favorecer setores que já trabalham com cadeias produtivas integradas, abrindo caminho para investimentos e inovações que impactem diretamente seu dia a dia, desde aparelhos eletrônicos até veículos e infraestrutura.