PSD firma acordo com Chega em Cascais; PS rompe relações

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PSD fecha acordo com Chega em Cascais e PS rompe

Sociais-democratas e socialistas tinham acordo de governação em Cascais. Ainda assim, Nuno Piteira Lopes decidiu estender a coligação ao Chega e o PS rompeu, entregando as vereações que já ocupava.

Em Cascais, a política local viveu uma viragem rápida que mudou o equilíbrio da Câmara. O presidente da Câmara atual confirmou a celebração de um acordo de governação com o Chega, gesto que levou o PS a abandonar a coligação com o PSD. A decisão foi tomada há instantes, depois de o PS ser surpreendido pela notícia do acerto feito em plena Assembleia Municipal. No Observador, o socialista João Ruivo não poupou críticas ao desfecho, afirmando que o PSD escolheu manter a maioria com o Chega em vez de com o PS.

O PS reagiu de forma firme, com um comunicado público que deixa claro: não fará parte de um executivo municipal onde o Chega tenha pelouros. “Esta decisão resulta de um princípio político claro e publicamente assumido: o PS não integrará um executivo que
inclua o Chega”, resume o texto, acrescentando que “a democracia também se defende nas decisões concretas, na forma como se exerce o poder, com quem e com que limites”. Além disso, reforça que a formação continuará a cumprir o seu dever de serviço público, mantendo uma oposição firme e construtiva, dedicada a soluções para os problemas do concelho.

Cascais, no dia a dia, não precisa de espetáculo nem de propaganda, segundo o PS, mas sim de respostas, planeamento e seriedade. A posição é apresentada como uma linha de princípio: não se pode normalizar a presença de uma força política cujas posições são consideradas incompatíveis com os valores democráticos defendidos pelo partido.

Até aqui, os socialistas João Ruivo e Alexandra Domingos ocupavam, respetivamente, áreas-chave na Câmara: Desenvolvimento e Promoção Económica e Licenciamento de Atividades Económicas, bem como Captação de Recursos, Projetos Comparticipados e Fundos Comunitários e Emprego e Estratégia de Smart Cities. Com o acordo com o Chega, essas divisões de trabalho ficam em suspenso, ao menos momentaneamente, à espera de novos entendimentos.

Quando a decisão saltou aos holofotes, o cabeça de lista do PSD/CDS, Nuno Piteira Lopes, explicou que o pacto decorre de um alinhamento entre duas forças políticas em prol de Cascais, “para já” — uma expressão que sinaliza que o caminho pode evoluir. Durante a campanha, o então candidato de Carreiras não fechou a porta ao Chega, dizendo apenas que o futuro de qualquer coligação dependia do número de vereadores eleitos por cada lado e, sobretudo, da qualidade das pessoas eleitas.

A leitura de Piteira Lopes sobre o processo não deixa de sublinhar uma certa previsibilidade: ele sabia que o PS manteria a sua posição, já que todos os candidatos autárquicos assinaram um compromisso de honra de não integrar órgãos onde o Chega pudesse ter poder. Assim, o vereador eleito pelo Chega agregou-se ao grupo já existente, trocando o apoio de dois vereadores socialistas pela participação do eleito do Chega. Daqui em diante, João Rodrigues dos Santos passa a chefiar as pastas de Transparência, Anticorrupção e Desporto, com lugar de vogal nas Águas de Cascais.

No meio de toda a movimentação, há ainda um parágrafo que mistura política com um tema bem diferente: em Paris, um caso controverso envolve Gregorian Bivolaru, apresentado como clandestino enquanto se observa a passagem de um episódio de um podcast sobre seitas. A notícia não fica por aqui: o Observador apresenta o quinto episódio de “Os segredos da seita do yoga”, uma produção que acompanha uma série de seis partes, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora de Benjamim. O texto sugere que se pode acompanhar a série no site do Observador, bem como nas plataformas de streaming habituais. No fim, fica a curiosidade sobre como esse tipo de conteúdo se cruza com o mundo político que aqui dominou as manchetes.

No conjunto, Cascais encara um capítulo de alta volatilidade, com consequências diretas para a forma como se governa a cidade, o peso das decisões nas ruas, e a maneira pela qual os eleitores percebem o equilíbrio entre partidos. No fim das contas, a pergunta que fica é simples: que impacto prático terá esta reconfiguração para a vida diária dos cascalenses — entre empregos, mobilidade, habitação e cultura?

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Jornalista

André Santos

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