Boulos e Guajajara reúnem com índios que ocupam terminal Cargill PA

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Boulos e Guajajara se reúnem nesta segunda-feira com indígenas que ocupam terminal da Cargill no Pará

Indígenas protestam contra decreto assinado por Lula em agosto de 2025, que inclui hidrovias no Programa Nacional de Desestatização

Nesta segunda-feira, em Brasília, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, e a ministra Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, vão receber representantes do Baixo Tapajós, no Pará, que ocupam o terminal portuário da Cargill em Santarém. A mobilização, segundo Boulos, é ›legítima‹ e merece ouvidos do governo. O encontro está marcado para as 16h no Palácio do Planalto. Em publicação no Instagram, o ministro afirmou que, ao longo de fevereiro, a pasta e o Ministério dos Povos Indígenas dialogaram com os povos, e agora o debate será levado ao nível ministerial.

No dia a dia, o governo do presidente Lula é contra qualquer repressão ao movimento social e aposta no diálogo para a solução dos conflitos”, destacou Boulos, enfatizando a disposição institucional de caminhar com os povos pelos caminhos da conversa.

Além disso, setores portuários e agroindustrial costumam enxergar o protesto como ilegal, mas a pauta que envolve o território indígena segue no centro das atenções, ampliando o debate sobre a relação entre políticas públicas, investimentos e direitos históricos.

O motivo de fundo envolve um decreto assinado por Lula em agosto de 2025, que incluiu hidrovias no Programa Nacional de Desestatização. A medida abrange a Hidrovia do Rio Madeira, a Hidrovia do Rio Tocantins e a Hidrovia do Rio Tapajós, gerando controvérsia entre comunidades tradicionais e autoridades. No dia a dia, as decisões sobre o Arco Norte ganham visibilidade e polêmica, impactando territórios indicados pelos povos da região.

Em carta aberta publicada pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), as lideranças informaram que, na madrugada de sábado, as comunidades da região do Tapajós e de Mato Grosso ocuparam o escritório da Cargill em Santarém. A ação ocorreu depois de “um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas”. Alegam ter buscado, por meio de ofícios, o posicionamento oficial do governo federal e o diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes sobre impactos do decreto nos territórios indígenas e nas comunidades tradicionais atingidas pelo chamado Arco Norte. Não houve resposta efetiva, segundo a carta, que ainda cita uma decisão judicial destinada a organizar uma operação policial para desocupação forçada.

Entre os desdobramentos, a leitura de que a situação envolve tensões entre políticas públicas, interesses econômicos e direitos dos povos originários ganha espaço. Em meio a esse cenário, a política pública encontra-se no epicentro do debate sobre como equilibrar desenvolvimento, proteção de territórios e participação das comunidades afetadas.

No que diz respeito a desdobramentos institucionais, a edição mais recente do Diário Oficial traz definições da CREden, órgão que deve auxiliar o governo em questões de relações exteriores e defesa nacional, segundo o comunicado oficial que acompanha o andamento dessas tratativas.

No fim das contas, o encontro desta segunda-feira promete acender o debate sobre caminhos possíveis de diálogo entre governo, comunidades tradicionais e setores econômicos, reafirmando a importância de ouvir as vozes que vivem nos territórios impactados e de buscar soluções que não deixem ninguém para trás.

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Jornalista

Lucas Almeida

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