EUA querem eliminar sistemas start/stop nos carros

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“Interruptor Obama”: EUA querem que carros deixem de ter sistemas start/stop

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Nesta semana, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) anunciou que vai eliminar os incentivos para a instalação de sistemas automáticos start/stop nos automóveis. O administrador da entidade, apelidado pela imprensa de “interruptor Obama”, defendeu que muitos condutores detestam essa funcionalidade. Em termos práticos, a EPA informou a retirada dos créditos que estimulavam as fabricantes a equiparem veículos com esse recurso, prometendo deixar as opções mais simples de ligar e desligar o motor ao motorista.

Mas afinal, o que é esse tal start/stop? Trata-se de uma tecnologia que desliga o motor do veículo automaticamente quando o condutor para por completo, reiniciando-o assim que ele retira o pé do freio. Criada em resposta à crise petrolífera dos anos 70, a ideia era reduzir o tempo de funcionamento em idle, diminuir o consumo de combustível e, por consequência, as emissões. No papel, parece eficiente; na prática, há quem discuta o impacto sobre a bateria e o conforto de uso, principalmente no trânsito urbano.

Durante a coletiva na Casa Branca, ao lado de Donald Trump, o responsável pela EPA, Lee Zeldin, fez questão de enfatizar que “todos detestam” a função, citando críticas de consumidores e veículos que, na visão dele, morrem a cada semáforo. A mensagem, repetida em redes sociais e veículos de imprensa, reforça que a autoridade entende o desagrado de muita gente com a opção de auto-desligar o motor em paradas curtas. Além disso, Zeldin ressaltou que os créditos que antes eram válidos para escolhas como sistemas de ar-condicionado mais eficientes também entram na mira deste fim.

Em termos de efeito prático, o anúncio sinaliza o fim de créditos que favoreciam, por exemplo, a adoção de start/stop por parte das montadoras. A reação não se limitou a promotores de políticas de energia: a discussão ganhou contornos políticos amplos, com defensores de modelos mais simples de tecnologia veicular apontando que a função não traz benefício significativo para o ambiente, principalmente quando se considera o desgaste da bateria em wheeling urbano constante.

Entre os antecedentes, a decisão se insere na revisão de políticas que envolvem padrões de emissões e crédito ambiental. A EPA anunciou, ainda, o encerramento de créditos “off-cycle”, uma categoria que recompensava recursos fora dos padrões tradicionais de avaliação. Em tom de provocação, a própria rede social do advogado-chefe da EPA destacou o fechamento de um capítulo que, segundo a administração, não cumpre mais as promessas de redução de impactos ambientais, dando a impressão de que a agenda de veículos mais limpos está recebendo um recomeço com menos incentivos diretos a facilidades como o start/stop.

Para os observadores, a medida dialoga com uma linha de esforço maior da gestão de Trump contra políticas de engenharia ambiental mais ambiciosas, ao mesmo tempo em que contrasta com as metas do governo anterior de ampliar a participação de veículos elétricos no parque nacional. A narrativa envolve também o recuo de metas anteriores para eletrificação, incluindo a promessa de que metade dos veículos vendidos nos EUA seriam elétricos até 2030, bem como a alteração da lei de impostos e despesas que impactava os créditos federais para carros elétricos novos e usados. Em resumo, o movimento aparece como parte de uma recalibragem regulatória com foco em escolhas de consumo mais diretas, menos incentivos diretos a tecnologias consideradas experimentais por críticos.

Mas o leitor pode perguntar: o que isso muda no dia a dia? A resposta depende da sua rotina de condução, do seu carro atual e da sua sensibilidade a custos de manutenção. Em termos práticos, sem os créditos e sem a linha de incentivo para o start/stop, fabricantes podem seguir com ou sem a adoção dessa tecnologia, e o consumidor pode enfrentar uma escolha diferente ao comprar um veículo novo. Por outro lado, defensores da agenda de veículos mais limpos já indicam que vão acompanhar de perto como as montadoras vão reagir a esse recuo regulatório, especialmente no que diz respeito a eficiência energética real de modelos urbanos.

Em síntese, a decisão da EPA aponta para uma mudança de ritmo: menos foco em incentivos diretos a tecnologias de economia de combustível e um empuxo maior a escolhas que o governo entende serem mais maduras ou mais facilmente integradas ao cotidiano. No fim das contas, o público que busca automóveis com menor pegada ambiental pode precisar reconsiderar suas opções, enquanto os motoristas que já utilizam o start/stop podem perceber mudanças na percepção de desempenho e conforto, sem necessariamente ver grande impacto naquilo que verdadeiramente contam como benefícios ambientais.

  • Fim dos créditos que incentivavam o start/stop nos automóveis.
  • Encerramento de créditos off-cycle e outras deduções associadas a soluções de eficiência energética.
  • Contexto político com foco em revisões de metas ambientais e no apoio a um ritmo regulatório diferente.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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