Trump pressiona Netflix e pede a demissão da antiga assessora de Obama

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Trump pressiona Netflix e exige demissão de ex-assessora de Obama

Trump solicita a demissão de Susan Rice, ex-embaixadora dos EUA e ex-assessora de segurança, envolvendo acordo de US$ 83 bilhões com a Warner

Em meio às tratativas bilionárias entre Netflix e Warner Bros. Discovery, o presidente Donald Trump lançou uma cobrança pública para que Susan Rice deixe o conselho da plataforma. A mensagem foi publicada no fim de semana pelo Truth Social e ocorre num momento de avaliação antitruste do Departamento de Justiça, que analisa se a aquisição pode concentrar ainda mais o poder de mercado. O negócio está avaliado em US$ 83 bilhões e depende do crivo regulatório para seguir adiante.

No centro da disputa estão declarações recentes de Rice em um podcast, nas quais ela levantou a possibilidade de uma futura agenda de responsabilização contra empresas que, segundo ela, se alinharam ao presidente. Na prática, esse tipo de comentário acendeu o debate entre fãs e críticos, justamente quando a Netflix busca a necessária aprovação regulatória para fechar a compra. Em sua publicação, Trump afirmou que a Netflix deveria “imediatamente demitir” Rice do conselho “ou pagar as consequências”, citando também críticas da ativista conservadora Laura Loomer, que pediu ao presidente que bloqueasse o acordo. A mensagem vem em tom contundente, sugerindo que a demissão de Rice seria uma condição para evoluir com a negociação.

Rice atuou como embaixadora dos EUA na ONU e como assessora de segurança nacional nas administrações de Barack Obama e Joe Biden. Ela integrou o conselho da Netflix entre 2018 e 2021 e retornou ao cargo em 2023. As declarações que motivaram a reação de Trump foram feitas durante o podcast Stay Tuned with Preet Bharara, apresentado pelo ex-procurador federal Preet Bharara. Na entrevista, Rice sugeriu que, caso os democratas retomem o poder, empresas que “dobraram os joelhos” ao presidente e tenham violado leis não deveriam esperar perdão, sinalizando uma eventual agenda de responsabilização para companhias.

Representantes da Netflix e de Rice não responderam aos pedidos de comentário da imprensa internacional. Enquanto os holofotes recaem sobre a linha entre política e negócios, o cenário antitruste continua em foco e pode influenciar o rumo da transação, além de reverberar no dia a dia do streaming e dos conteúdos que chegam ao público.

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Negociação bilionária e disputa com a Paramount

A ofensiva política ocorre paralelamente à tentativa da Netflix de concluir a aquisição dos estúdios de cinema e televisão da Warner e da própria HBO Max. O acordo, avaliado em US$ 83 bilhões, depende da aprovação da divisão antitruste do Departamento de Justiça, que avalia se a operação poderia reforçar o poder de mercado ou criar monopólio. Em dezembro, Trump já havia sinalizado que a Netflix detinha uma participação de mercado relevante e que a compra poderia ser problemática. Em fevereiro, ele afirmou que não deveria se envolver diretamente no caso e que a investigação caberia ao DOJ, ainda que tenha voltado a comentar sobre o tema publicamente. Em paralelo, a Paramount apresentou uma oferta hostil de cerca de US$ 77,9 bilhões para comprar toda a Warner, incluindo CNN e TNT. A Warner deu prazo de sete dias para a Paramount apresentar uma proposta final, com direito da Netflix de igualar qualquer oferta, caso a negociação prospere.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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