Lula exorta regulação global da IA com rigor em entrevista à TV indiana

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Lula defende regulação global rígida da IA durante entrevista à TV indiana

Presidente está em Nova Délhi para a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e cumprir outras agendas

Em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista exclusiva à India Today TV para falar sobre a regulação da inteligência artificial. Em tom firme, ele deixou claro que a regulação rígida precisa nascer de uma instituição multilateral do tamanho das Nações Unidas, com o objetivo de proteger, sobretudo, crianças, adolescentes e mulheres. Lula está na capital indiana para participar da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e cumprir outras pautas da sua agenda internacional.

No dia a dia, o líder brasileiro ressaltou que a IA é uma ferramenta de enorme importância, desde que esteja a serviço da sociedade e ajude a melhorar a vida das pessoas. “É fundamental reconhecer que a inteligência artificial pode transformar a humanidade, mas precisa trabalhar para o benefício público e não colocar em risco o bem-estar social”, afirmou, destacando que a aplicação da tecnologia pode avançar áreas como saúde e educação, desde que haja cautela para que não substitua o trabalho humano.

Para ele, não é aceitável que a IA tenha apenas um ou poucos donos; o controle precisa ser da sociedade como um todo. “Quem tem que assumir a IA é a sociedade”, disse, acrescentando que há interesses de quem gerencia plataformas que resistem à regulação. “Obviamente que você tem dois ou três donos de plataforma que não querem que haja nenhuma regulação. Mas se não fizermos a regulação, podemos perder o controle — e isso não seria bom para a humanidade”, alertou.

Entre muitos olhares sobre o tema, o tom é claro: a regulação não é um obstáculo, mas um caminho para garantir o uso ético, seguro e social da IA.

  • Regulação global em instituição com dimensão das Nações Unidas
  • Proteção especial para crianças, adolescentes e mulheres
  • IA a serviço da sociedade, semdotar de dono único a tecnologia

Na mesma linha de atuação, ainda nesta sexta-feira (20), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de Nova Délhi de um painel intitulado “IA para o Bem de Todos – Perspectivas brasileiras sobre o futuro da Inteligência Artificial” dentro da Cúpula. O ministro apresentou a visão do governo brasileiro de inserir a IA no setor de saúde e destacou o papel central do SUS na liderança de soluções baseadas em tecnologia, com foco no cuidado às pessoas.

Padilha deixou claro que o Brasil quer se posicionar como uma região prioritária para o desenvolvimento de IA em saúde, promovendo cooperação global, além de impulsionar avanços econômicos, tecnológicos e sociais. Em sua apresentação, foram citados dados sobre os downloads do aplicativo Meu SUS Digital e sobre a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), reforçando que o Brasil mantém o maior sistema público de saúde universal do mundo.

O ministro citou também exemplos concretos de como a IA já age no SUS: sistemas que ajudam a prevenir surtos de dengue e de síndromes respiratórias, ferramentas que aceleram diagnósticos por imagem e soluções que organizam filas para consultas e cirurgias. “Queremos oferecer ao povo brasileiro o direito de ser atendido pelo que existe de mais inovador na saúde, independentemente da sua condição econômica”, afirmou.

Para fechar, Padilha enfatizou que o objetivo é construir uma IA que seja, ao mesmo tempo, inteligente e sábia, justa na proteção da vida e soberana para cada país, com especial atenção ao Sul Global. Ele destacou a importância da cooperação entre nações na construção de uma IA ética e soberana, bem como o impulso a investimentos em hospitais inteligentes, telemedicina e plataformas digitais para ampliar o acesso e qualificar o cuidado, sem substituir o papel humano.

No fim das contas, o recado é claro para quem acompanha o dia a dia: a IA pode funcionar como aliada da sociedade e do SUS quando for bem regulada, transparente e centrada nas pessoas, além de fortalecer a cooperação internacional para um futuro tecnológico mais justo.

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Jornalista

Renata Oliveira

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