Bolsonaristas comemoram rebaixamento da Acadêmicos de Niterói após homenagem ao Lula
Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira estão entre os que celebraram publicamente e aproveitaram para criticar presidente
Noapaixonante cenário do carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói entrou na avenida com uma mensagem polêmica e, ao fim das contas, terminou rebaixada. Em seu ano de estreia no Grupo Especial, a escola acabou caindo para a Série Ouro em 2027, gerando reação imediata entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além da derrota histórica, a apresentação trouxe para o centro do debate a escolha de um enredo em homenagem ao presidente Lula, algo que dividiu torcidas e acendeu discussões sobre a condução política que invade o samba.
O enredo escolhido pela agremiação trouxe o título “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, apresentando uma leitura que exaltava a figura do presidente e o retrato de um trabalhador brasileiro. No dia da apresentação, a repercussão não ficou restrita aos desfiles: a decisão de enaltecer Lula gerou, por um lado, aplausos entre parte do público e, por outro, críticas acirradas entre adversários e setores da oposição. No ambiente do samba, a discussão ganhou contornos de tema político, levando até mesmo a perguntas sobre o papel da cultura popular na política nacional.
Entre os que se manifestaram publicamente, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma leitura contundente nas redes, ao afirmar que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o país, seja para um samba enredo”. Em tom direto, destacou que a família continua sendo o que mais importa, e que, a seu ver, não seria surpresa se a próxima queda atingisse Lula e o PT. A declaração acendeu o debate entre quem viu no fato uma provocação política explícita e quem entendeu como uma expressão de posicionamento ideológico durante o carnaval.
Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não poupou elogios à reação pública que a escola gerou. Em publicação, ele disse que a rebaixamento expõe “como o Lula está afundando o Brasil” e classificou a homenagem como “muito bem adequada” para a ocasião. A fala reforça o tom de linha dura adotado por parte da oposição, que vê no desfile uma vitrine para críticas diretas ao governo federal e aos seus acenos culturais.
Não ficou apenas nisso: o debate ganhou a presença de outros atores da cena político-cultural. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com base eleitoral em Niterói, também celebrou o resultado, utilizando uma expressão forte para resumir a posição de muitos apoiadores: “Rebaixada. A lei de causa e efeito não falha. O que esse pessoal ficou pensando que iria acontecer com esse samba-enredo porco de homenagem a Lula?” O tom foi de contundência, sinalizando que, no entender de parte do público, a homenagem não teve a recepção desejada.
Dentro da própria escola, o episódio também revelou tensões internas. A ala neoconservadora, que já chamou a atenção de críticos, voltou a ser objeto de críticas, pois sua presença na avenida e suas referências foram interpretadas como parte de uma tentativa de aliançar símbolos de família tradicional com o discurso político. Em meio a críticas da oposição, a agremiação defendeu que o desfile buscava retratar uma visão de Brasil ligada ao trabalho e à esperança, ainda que o desfecho não tenha agradado a todos os públicos.
Por fim, o evento serviu para acender uma discussão mais ampla sobre o papel do carnaval como palco de debate político. Enquanto parte da torcida celebra a coragem de levar temas polêmicos para a avenida, outra parcela questiona a conveniência de associar resultado esportivo e festa popular a mensagens políticas explícitas. No dia a dia, essas tensões costumam ganhar ainda mais força quando o público volta para casa com dúvidas sobre o que realmente muda para o país a partir de um desfile tão carregado de significado.
Com a expectativa da temporada seguinte, os desdobramentos do episódio prometem abrir espaço para novas leituras sobre o carnaval como espaço de expressão, mas também como território de disputas políticas. No fim das contas, o que estava em jogo foi a interpretação de um enredo que exaltou Lula de forma inequívoca e, na prática, provocou reações fortes fora do universo das escolas de samba. O que resta para o torcedor comum é acompanhar os próximos passos da Acadêmicos de Niterói e observar como a cultura popular continua a dialogar com a política no coração do carnaval.