Justiça dos EUA adia nova audiência de Maduro para 26 de março
Acusado de narcotráfico, ex-presidente venezuelano permanece sob custódia em Nova York; Cilia Flores também comparecerá ao tribunal
O sistema judicial dos Estados Unidos adiou, para 26 de março, a segunda audiência de Nicolás Maduro em um tribunal federal de Nova York. A mudança aconteceu a pedido da promotoria, que citou problemas de planejamento e logística. A defesa concordou com o adiamento, uma decisão que foi posteriormente autorizada pelo magistrado responsável pelo caso. Na prática, o intervalo ganha tempo para alinhar posicionamentos e preparar os próximos passos do processo.
O ex‑presidente, 63 anos, continua sob custódia americana desde o começo de janeiro, quando foi detido em Caracas durante uma operação conduzida pelos EUA. Trata-se de um episódio sem precedentes na história recente da América Latina, ao envolver a prisão de um chefe de Estado estrangeiro para julgamento em território norte‑americano. Na primeira audiência, dois dias após sua chegada, Maduro se declarou inocente das acusações de tráfico internacional de drogas e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.
A promotoria o acusa de liderar uma rede que teria facilitado o envio de grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos ao longo de vários anos. No dia a dia do tribunal, o foco recai não apenas sobre as acusações, mas também sobre a estratégia de defesa para contestá‑las e os caminhos legais que deverão ser trilhados nas próximas etapas do processo.
A próxima audiência também contará com a presença de sua esposa, Cilia Flores, que enfrenta acusações no mesmo processo. A presença de ambos no mesmo espaço judicial adiciona um componente humano e simbólico a um caso que já ganhou contornos históricos para a relação entre Venezuela e Estados Unidos.
Maduro governou a Venezuela de 2013 até janeiro de 2026. Sua saída do poder ocorreu em meio a pressões internas e internacionais crescentes, agravadas por sanções econômicas e acusações de fraude eleitoral. Em meio à sua captura, a vice‑presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interinamente. A transferência do ex‑mandatário para os Estados Unidos elevou a tensão diplomática na região e reacendeu o debate sobre até onde alcança o poder jurisdicional americano fora de suas fronteiras.
Publicidade