Foi lindo’, diz Lula sobre homenagem na Sapucaí; oposição vê crime eleitoral
O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimenta o circuito carioca, enquanto o governo esclarece que não houve participação oficial na criação do enredo e que os recursos públicos seguem regras vigentes. No meio da polêmica, Lula aproveita para agradecer ao público e aplaudir a força cultural das escolas de samba.
Na noite de domingo, a Sapucaí ganhou um tom especial com a passagem da Acadêmicos de Niterói, que levou ao Anhembi — ou melhor, ao Sambódromo do Rio — um enredo cupando a ideia de como a trajetória do presidente se conectará ao imaginário popular. O tema escolhido, “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, foi ressaltado pela agremiação como uma celebração da mobilidade social e da trajetória de quem, segundo a escola, constrói oportunidades para o país. E, no espírito do espetáculo, a plateia respondeu com calor, gerando a sensação de que a noite se tornou inesquecível para quem acompanha a folia.
Além da apresentação, o governo federal se manifestou, destacando que não houve participação direta do Planalto na escolha ou no desenvolvimento do enredo. Em nota, o Palácio informou também que não existe nenhuma decisão judicial para impedir a realização do desfile e que a verba pública destinada às escolas de samba é repassada à Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), e não diretamente às próprias escolas. Na prática, isso reforça que o financiamento já tem um caminho institucional estabelecido, sem implicar em propaganda eleitoral antecipada, segundo a narrativa oficial.
Enquanto isso, o presidente usou as redes sociais para registrar o momento com elogios à folia, destacando a criatividade das escolas e o impacto positivo da cultura no desenvolvimento econômico. “A Marquês de Sapucaí mostra ao planeta a força das nossas escolas de samba, a criatividade do nosso povo e a capacidade que o Brasil tem de transformar cultura em desenvolvimento, emprego e renda”, escreveu Lula, reforçando a ideia de que o carnaval funciona como vitrine de cidadania e hospitalidade cultural.
Do outro lado, a movimentação política não ficou quieta. O Partido Liberal (PL) — ligado a Jair Bolsonaro — sustentou que o desfile representou uma série de atos políticos que, na visão deles, poderiam configurar ilícitos eleitorais. A oposição admite que planeja ações para contestar o que consideram uso indevido de recursos públicos com fins eleitorais, chegando a mencionar a possibilidade de pleitear a inelegibilidade de Lula caso se confirme a candidatura à reeleição. No cotidiano da avenida, porém, as escolas seguem com seus desfiles como expressão cultural, e a narrativa oficial insiste em separar o que é cultura de o que é política em termos eleitorais estritos.
Entre as homenagens, a parceria entre o público e as agremiações ficou evidente. A apresentação contou com a presença de personalidades que desfilam pela Acadêmicos de Niterói, com referência constante à ideia de orgulho e participação cívica. “Foi uma noite inesquecível na Sapucaí. Quatro escolas — Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira — mostraram o que é emoção compartilhada, talento e muita criação diante da avenida. Foi lindo. Obrigado, Rio!”, afirmou Lula em tom de agradecimento que circulou entre os torcedores da festa.
Na prática, o episódio em torno da Acadêmicos de Niterói e de outras entidades da Sapucaí reacende debates sobre o equilíbrio entre cultura, política e fiscalização. Para o público comum, a leitura mais direta é de que o carnaval segue firme como espelho da diversidade brasileira e da capacidade do país de transformar tradição em oportunidades para o setor cultural e criativo. No fim das contas, resta a sensação de que a folia continua, e que a cidade observa com atenção o desenho desse cenário onde entretenimento, política e justiça insistem em dialogar.