Libertada luso-venezuelana condenada a 21 anos de prisão
Acabou de ser libertada da prisão a luso-venezuelana Carla da Silva. Estava condenada por conspirar para derrubar o Governo então liderado por Nicolás Maduro.
Foi anunciada a libertação de Carla Rosaura da Silva Marrero, uma cidadã luso-venezuelana, pela fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A nota confirma que a mulher, anteriormente condenada a 21 anos de prisão, tinha já cumprido cerca de 5 anos da pena. Além disso, o MNE afirma que “está a acompanhar o caso e em contacto com a família” e que a libertação acontece num contexto de atenção internacional aos direitos de detenção.
Carla encontrava-se detida desde o 5 de maio de 2020. A condenação, só conhecida quatro anos depois, veio no âmbito da chamada Operação Gedeón, que alegava um golpe de Estado e outras ações contra o então Governo de Nicolás Maduro. A entidade responsável pela defesa de presos políticos, a Foro Penal, chegou a dizer que o excesso de prisão preventiva justificava a exigência de libertação, destacando que Carla é uma das chamadas presas políticas que se encontram nessa situação no país.
A sentença, tornado pública apenas em maio de 2024, apontou Carla como ré por conspiração e associação para cometer crimes, no âmbito da alegada operação. A pena de 21 anos foi atribuída a ela e a outras 28 pessoas — entre militares e civis — envolvidas no caso. A decisão decorreu após uma audiência que se estendeu por mais de 15 horas, com a lista de acusações a incluir traição, rebelião, tráfico de armas de guerra, financiamento de terrorismo e outras imputações.
No momento da detenção, Carla já cumpria pena no Instituto Nacional de Orientação Femenina (INOF), desde o dia 27 de setembro, após ter sido transferida de outro estabelecimento prisional. A libertação ocorre num clima de alerta internacional em torno da situação no sistema prisional venezuelano e de críticas à forma como os detidos são mantidos sob custódia.
O caso envolve, segundo a imprensa venezuelana citada pelo observador local, que Carla foi detida durante uma festa infantil após ter supostamente conhecido uma mulher associada à operação. A atuação teria sido efetuada por agentes das Forças de Ações Especiais (FAES), o que levou a família a permanecer sem saber do paradeiro por cerca de 20 dias. De acordo com relatos, Carla foi alvo de torturas durante dois dias, sendo espancada e com um saco de plástico na cabeça, além de ter visto o telemóvel inspecionado e ter passado por um teste de polígrafo. Em contrapartida, a família descreveu a filha como uma “presa política sequestrada pelo regime”, conforme um vídeo da mãe, Miriam Marrero, professora de filosofia, divulgado em 2023.
No mesmo dia da libertação de Carla, a Foro Penal destacou que “pelo menos 80 presos políticos em várias regiões do país foram libertados”, sinalizando um movimento que, segundo a ONG, pode indicar novas libertações no curto prazo. O apoio da ONG, bem como de órgãos internacionais, tem sido uma constante na vigilância sobre estes casos, com lembranças de que a situação é lenta e envolve pressões externas.
No balanço geral, a libertação de Carla destaca uma dinâmica complexa entre direitos humanos, processos judiciais e pressões políticas. Para o leitor, fica a questão: qual o impacto dessa libertação na vida de quem luta por causas políticas e quais as consequências para o momento político venezuelano no dia a dia dos cidadãos?