Rubio diz que há ‘longo’ caminho pela frente, mas que Venezuela está ‘melhor’ sem Maduro
Secretário de Estado dos EUA comparece a comissão no Senado para explicar operação americana a Caracas em 3 janeiro, que levou à queda do chavista
A visita de um dos nomes mais citados da política externa dos EUA ao Congresso acende o debate sobre o que vem a seguir na Venezuela. Marco Rubio, na condição de secretário de Estado, foi à comissão no Senado para detalhar a operação realizada em Caracas no dia 3 de janeiro, a que levou à queda de Nicolás Maduro. Em linguagem direta, ele lembrou que, embora os pontos de atuação tenham visado pressões estratégicas, não há qualquer intenção de escalada militar. Ainda assim, não há espaço para discursos fáceis: o país vizinho segue em um caminho difícil de estabilização.
Na prática, o chanceler americano sustentou que a transição não ocorrerá em poucos dias. “Há um longo caminho a percorrer”, disse, destacando que a situação atual é, de certo modo, mais favorável do que quando Maduro ainda controlava o governo. E, para sustentar essa leitura, ele enumerou argumentos que, segundo ele, justificam a atuação dos EUA no continente: uma base de operações para adversários no hemisfério, com o narco e seus centros de poder conectados a diferentes potências globais.
Segundo Rubio, para o Irã, a Venezuela era o principal ponto de operação no hemisfério Ocidental; para a Rússia, funcionava como base principal nas mesmas condições; já a China recebia petróleo a condições privilegiadas, com desconto considerável, chegando a cobrir dívidas. O resultado, na visão dele, era claro: três grandes oponentes agiam de forma coordenada a partir do território venezuelano, o que elevava o risco estratégico para os Estados Unidos e para a região como um todo.
O secretário enfatizou também que a situação atual envolve negociações diretas com quem hoje controla os principais componentes do aparato estatal. Em seus dizeres, houve conversas respeitosas, diretas e honestas com forças de segurança, governo e demais instituições, tudo com o objetivo de manter linhas de diálogo abertas enquanto se busca uma transição institucional.
Quanto aos aspectos econômicos, Rubio apresentou uma leitura de curto prazo: houve acordo sobre petróleo que o seu governo descreve como mecanismo temporário, destinado a atender as necessidades imediatas do povo venezuelano. Ele reforçou que o sustento do país depende da retomada de um funcionamento estável da indústria petrolífera, que precisa deixar de ser controlada por redes de favorecimento e corrupção e voltar a operar de maneira comum e transparente.
Além disso, o chefe da diplomacia americana destacou a importância de ampliar o espaço para diferentes vozes no cenário político da Venezuela. Em termos práticos, isso passa pela libertação de presos políticos e pelo estímulo à convivência entre partidos e correntes dentro de um marco de legalidade. No fim, a meta é ver uma Venezuela livre, estável e próspera, mesmo que a jornada para chegar lá exija tempo, paciência e uma atuação contínua por parte dos EUA e de aliados regionais.
Entre os pontos adicionais, o secretário destacou a relevância de criar condições para que o país possa, aos poucos, retomar a autonomia de decisão sobre seus recursos, com regras que incentivem o investimento privado e o desenvolvimento responsável da indústria de hidrocarbonetos. Nunca é demais sublinhar que o objetivo de longo prazo é uma transição que permita à Venezuela gerar prosperidade sem depender de atalhos que comprometam sua soberania.
Assim, a narrativa apresentada pelo governo norte-americano aponta para uma trajetória de mudanças graduais, com medidas de curto prazo para estabilizar a economia e, ao mesmo tempo, passos estruturais para devolver à sociedade venezuelana a liberdade de expressão, o funcionamento institucional e a responsabilidade econômica.