Como será a primeira noite dos desfiles do Carnaval carioca

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O que esperar da primeira noite de desfiles do Carnaval carioca

Quatro escolas irão passar pela Marquês de Sapucaí, neste domingo, 15

A abertura do Carnaval do Rio de Janeiro promete uma noite marcada por celebração, memória e uma dose de política e cultura popular. Quatro escolas do Grupo Especial vão abrir a avenida na noite de domingo, enquanto oito dos doze integrantes do grupo destacam personalidades históricas em seus enredos. A Sapucaí, então, entra em clima de homenagem e de curiosidade para entender como cada agremiação traduz essa curadoria de referências na Avenida.

Acadêmicos de Niterói surge como a grande novidade da noite, trazendo o enredo Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, assinado pelo carnavalesco Tiago Martins. A narrativa acompanha a trajetória do presidente Lula desde a infância até a atuação política, incluindo a simbólica passagem para São Paulo em um pau-de-arara, a luta sindical e a construção da carreira pública. Acompanhando a apresentação, o desfile reserva momentos que deverão reunir público e autoridades, com o prefeito Eduardo Paes presente no camarote da prefeitura e, no mesmo carro em que está Janja, nomes como Margareth Menezes, ministra da Cultura, e Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.

Imperatriz Leopoldinense entra em cena com o enredo Camaleônico, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira e inspirado na figura performática de Ney Matogrosso. A proposta é oferecer um retrato da multiplicidade artística e da transformação cênica do cantor, revisitando sucessos que marcaram sua trajetória, como Sangue Latino, Rosa de Hiroshima, O Vira, Homem com H e Metamorfose Ambulante. À frente da bateria, a cantora Iza com Ney cercado por convidados especiais, entre eles Luiz Fernando Guimarães e Maitê Proença, compõem a narrativa performática que já nasce com expectativa de impacto visual e musical.

A sequência da noite fica por conta da Portela, que desfila com o enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande, assinado por André Rodrigues. A proposta aborda o legado religioso, cultural e político de Custódio Joaquim de Almeida, o príncipe do Bará, destacando a presença negra no Sul do Brasil e o sincretismo entre religiões de matriz africana e tradições populares. Um dos destaques da escola é a rainha da bateria Bianca Monteiro, que celebra dez anos de reinado na obra de gala da agremiação.

E para fechar a noite, a Mangueira marca presença com o enredo Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra, sob a batuta do carnavalesco Sidnei França. Mestre Sacaca (Raimundo dos Santos Souza) é apresentado como referência dos saberes afro-indígenas na região amazônica, conhecido pelo domínio de ervas, raízes e seivas que ajudam no tratamento de doenças e fortalecem o cuidado comunitário. O enredo reforça a riqueza cultural da floresta e a transmissão de saberes tradicionais, mantendo viva a memória de um curandeiro que dialoga com o público sobre o cuidado coletivo.

No conjunto da noite, fica claro como cada proposta busca não apenas o visual deslumbrante, mas também a conexão com o leitor, convidando a refletir sobre diversidade, memória e identidade. Mas o que isso muda na prática para quem acompanha o Carnaval no dia a dia? No fim das contas, o que resta é a energia contagiante da Sapucaí, pronta para encantar quem estiver lá e quem acompanhar de perto por meio das casas, telões e redes sociais.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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