Delcy Rodríguez orquestra dança das cadeiras no comando militar após queda de Maduro
Mudanças foram anunciadas pelo chefe do Comando Estratégico Operacional da FANB, Domingo Hernández Lárez
Logo após a queda de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez assume papel central na reorganização das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB). Em meio a incertezas, a vice-presidente interina e, desde então, presidente interina da Venezuela, conduziu uma nova rodada de mudanças no comando, marcando a continuidade da sequência de ajustes que alcançam zonas de defesa e Redi. A decisão foi comunicada pelo chefe do Comando Estratégico Operacional da FANB, Domingo Hernández Lárez, pelo Telegram, evidenciando uma segunda remodelação relevante na estrutura de defesa.
Entre os destaques, o major-general Pablo Lizano foi designado para chefiar a REDI Andina, incluindo Mérida, Táchira (na fronteira com a Colômbia) e Trujillo. Já o major-general Erasmo Ramos Iriza assume a Redi Oriental, que abrange Anzoátegui, Monagas e Sucre. Por sua vez, o major-general Rufo Parra Hernández comandará a Zodi Miranda, no estado vizinho de Caracas; enquanto o major-general Miguel Chacín Socorro assume o comando da Zodi Delta Amacuro. Ao todo, são mais de uma dúzia de trocas anunciadas na leitura dos planos da FANB.
Essa é, ainda, a segunda grande reorganização de Defesa ordenada por Delcy Rodríguez. Poucos dias após a captura de Maduro, ela promoveu uma remodelação em postos-chave da segurança e da área econômica do governo. Na ocasião, foi anunciada a substituição do comando da Guarda de Honra Presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), que passaram a ser chefiadas pelo general Gustavo González López. Este último, alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia por acusações de violações de direitos humanos e repressão a opositores, especialmente durante os protestos de 2014, vinha atuando há tempos em funções estratégicas ligadas à estatal PDVSA e ao aparato de inteligência do governo de Maduro. Ele substitui Javier Marcano Tábata, também sancionado, marcando uma mudança significativa no núcleo de segurança do país.
Na prática, o conjunto de mudanças aponta para uma definição de alianças e estratégias dentro de um cenário de transição. Com o anúncio vindo pela via oficial – via Telegram – fica claro que a liderança busca consolidar uma estrutura de defesa que, por um lado, fortalece o controle institucional e, por outro, coloca nomes com histórico contencioso em cargos-chave. Embora o objetivo declarado seja reorganizar, no dia a dia, leitores percebem que esse movimento envolve escolhas que vão além de nomes, refletindo uma nova direção para as operações de segurança e a relação com instituições estratégicas do Estado.
Para o leitor curioso, fica a pergunta: o que essas mudanças significam na prática para a atuação das forças de defesa e para a governança de áreas estratégicas da Venezuela? No fim das contas, o que se desenha é uma configuração capaz de influenciar políticas de fronteira, segurança interna e a dinâmica de parceria com atores internacionais, em um momento em que o país busca estabilidade enquanto remodela seus poderes estruturais.