Passo a passo do desfile que pretende fazer Lula se emocionar na Sapucaí
Descrição: Acadêmicos de Niterói apresentará no domingo, 15, ‘Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil’
O carnaval carioca volta a contar uma história que cruza memória, música e política de forma acessível e envolvente. Os Acadêmicos de Niterói preparam para o próximo domingo, dia 15, um enredo que leva o público a revisitar a trajetória de Lula, o operário que virou símbolo de mudança. Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil monta um mosaico de passado e presente, conectando infância, trabalho, família e as transformações do país, tudo visto sob a ótica de uma brasilidade pulsante e popular.
A narrativa é conduzida pela voz de Dona Lindu, mãe do presidente, que narra de forma afetiva a jornada da família: uma travessia marcada pela fome, pela coragem e pelas escolhas que moldaram a vida de Lula. A memória da infância em Garanhuns, o trecho de 13 noites e 13 dias em uma carreta conhecida como pau-de-arara, até os passos que levaram o jovem engraxate a ingressar no mundo do metalúrgico, aparecem como pilares. No salto entre o Nordeste e a região metropolitana, a história se transforma em uma reflexão sobre o Brasil que se constrói no dia a dia do trabalhador.
No dia a dia da montagem, o tom da abordagem é definido pelo carnavalesco Thiago Martins. Ele explica que a ideia parte da infância no sertão, da fome que moldou uma geração e, ao mesmo tempo, da relação com as lendas que cercam a vida de quem já viveu muito para perceber a humanidade nas coisas simples. Curiosamente, o enredo não recorre a Lula em primeira pessoa, privilegiando a “saída familiar” com Dona Lindu como narradora. Para ele, o recuo da memória pessoal abre espaço para uma visão coletiva do Brasil, sem perder o afeto e o encanto de quem viveu tudo isso.
A direção artística já antecipa os elementos que vão compor o desfile. O abre-alas traz o gesto simbólico do pé de mulungu que Lula cultivava no quintal, um símbolo de infância que o escola usa para apontar o caminho da liderança. Em seguida, a narrativa avança pela passagem de Garanhuns a São Paulo, mostrando a trajetória do trabalhador que virou líder sindical e, mais tarde, presidente da República. A ideia é transformar a vida dele numa escuta sobre o país, onde cada etapa é uma lembrança de dedicação e de lutas.
Entre os recursos visuais, as baianas aparecem no primeiro setor, irradiando o sol em tons de amarelo e evocando o agreste pernambucano, o que imprime a emoção da abertura do desfile. No quarto setor, a voz da política aparece mais diretamente: a gente apresenta os benefícios e os projetos que marcaram aquele período de abundância. A pergunta que fica é: por que tratar de política num enredo de carnaval? A resposta dos carnavalescos é clara: o homenageado é político por natureza, então a homenagem é inevitável, mas não se trata de propaganda; é uma leitura sobre o Brasil, com espaço para a democracia e para a história de um país que se constrói com decisões públicas.
A bateria, responsável pelo coração da escola, ficará visualmente ligada aos anos 1970, período em que o espetáculo enfatiza a força do trabalhador metalúrgico e o espírito de resistência. Os figurinos remetem à vestimenta típica da época, alinhando-se à imagem que Lula projetou como operário engajado. No entanto, a repercussão não é unânime. De um lado, há quem veja a escolha como ousadia. Do outro, reclamações sobre ambientar o palco a um político em exercício. A resposta é simples para a equipe: é uma homenagem ao Brasil como um todo, e o carnaval, embora próximo de um ano eleitoral, não funciona como boca de urna — ele continua sendo uma festa que celebra a memória coletiva de uma nação.
Entre os nãos e os sorrisos, o enredo reserva surpresas para o público. Um spoiler já ocupa o terceiro carro: a ideia de mostrar Lula operário transformando-se em presidente aparece de forma simbólica, não como figura gigante, mas como uma progressão que revela o caminho de liderança que mudou o destino de milhões. A imagem do homem que veste uma gravata com as cores verde, amarelo e azul reforça esse arco de evolução: do trabalhador à figura pública que comanda decisões importantes para o país.
Além disso, haverá uma escultura de Lula que acena para a plateia, mantendo o vínculo com a ideia de proximidade e empatia que o enredo quer reforçar. O desafio é manter o equilíbrio entre história familiar, memória coletiva e o retrato público que o Brasil conheceu nas últimas décadas. A gravação de cada passo busca, no fim das contas, celebrar a trajetória de alguém que representa, para muitos, uma forma de Brasil que se reergue pela ação pública, pela coragem cotidiana e pela esperança de dias melhores.
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