Márcio França: Lula não pode cometer erros

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Márcio França: “Lula não pode errar”

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ministro tenta se viabilizar com o apoio do presidente

Marcio França, ex‑governador de São Paulo por oito meses em 2018 e hoje à frente do Ministério do Empreendedorismo, entra no jogo político com uma estratégia clara: conquistar o Palácio dos Bandeirantes com o respaldo direto de Lula. Um cenário que ele descreve como desdobramento de uma decisão maior, em que o eleitor paulista é visto como decisivo não apenas para o estado, mas para o roteiro nacional. Na prática, França afirma que a vitória em São Paulo pode valer muito além do território, influenciando o ritmo da eleição presidencial.

Para ele, o momento pede planejamento minucioso: “a formação de uma equipe capaz de vencer no maior colégio eleitoral do país é a chave”, costuma repetir, comparando a montagem de chapa a uma escala de futebol. Em sua avaliação, errar em São Paulo não é apenas um tropeço local; é um desvio que pode comprometer o esforço de Lula em nível nacional. Errar em São Paulo pode ser um erro grande, ele repete, enfatizando que o estado funciona como termômetro da reta final da corrida presidencial.

Sobre o que Lula tem no radar para a composição da chapa de apoio ao Planalto, França sinaliza que o conjunto de nomes considerados — Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (MDB) — é visto como sólido pelos especialistas da… a depender das coligações e do momento político. “São três nomes muito bons”, diz, usando a comparação esportiva de quem quer jogar em qualquer posição que o técnico julgar melhor. O objetivo, afirma, é claro: manter Lula no topo da disputa.

Quem olha para o calendário percebe que a candidatura de França só se tornará efetiva após a convenção, em julho. Mesmo assim, ele já se coloca como opção viável, levando em conta votações expressivas em eleições anteriores (quase 30 milhões de votos somando os pleitos de 2018 e 2022) e a experiência adquirida em palcos maiores. “Estou apto para essa disputa e gostaria de ter a chance”, afirma, lembrando que o aval do presidente Lula é parte central dessa equação. Ainda assim, ele ressalta que a decisão final depende do conjunto da equipe de Lula e das possibilidades abertas pelo momento político.

Por outro lado, França não esconde a importância de manter uma leitura realista sobre o cenário da centro-direita e o que os aliados de Lula podem querer em São Paulo. Ao ser questionado sobre o que acha dos favoritos de Lula para a liderança paulista — Alckmin, Haddad e Tebet — ele responde com reverência aos três nomes. “São meus amigos, pessoas experientes e aptas”, resume, ao mesmo tempo em que reforça que o objetivo principal continua sendo a reeleição de Lula. Para ele, em política, cada escolha precisa necessariamente considerar a força real do eleitorado paulista.

Além disso, o ex‑governador observa que o centro político busca ajustar posições de acordo com as alianças. Nessa linha, França comenta que o MDB tem importância estratégica, mas pode oscilar conforme as negociações nacionais. O prefeito Ricardo Nunes, em São Paulo, é citado como figura de peso para manter a consistência local, e não aponta mudanças radicais na linha de apoio ao governo federal. Em resumo: não haveria espaço para reformas meteóricas na direção nacional neste momento sem um acordo que supra a lógica das alianças existentes.

Pontos-chave

  • O objetivo estratégico é a reeleição de Lula, com construção de uma chapa que tenha força em São Paulo.
  • França vê como provável a continuidade de Alckmin como vice, caso haja acordo com partidos do Centrão e do MDB.
  • A presença de Haddad e Tebet na órbita de Lula é vista como elemento de equilíbrio entre setores da esquerda e do centrismo.
  • O Centrão, via Kassab e afins, fica em compasso de espera, mantendo a posição de não abrir mão de uma leitura que não preencha totalmente o quadro nacional.

Quanto ao protagonismo de alianças, França não descarta conversas com siglas de centro e esquerda para fortalecer a candidatura no estado. Ele lembra que o PSD, chefiado por Gilberto Kassab, é alvo de especulações recentes sobre o papel que pode exercer na coalizão, mas evita cravar cenários. A sensação, nas palavras dele, é de que mudanças bruscas não aparecem no radar imediato; o foco, pode-se dizer, é manter a linha de um projeto estável que favoreça Lula sem afrontar o que já está angariado no espectro de alianças.

Na própria avaliação de França, a força do ex‑ministro e seu histórico nacional — incluindo as disputas em São Paulo em 2018 (governo) e 2022 (Senado) — apontam para uma leitura realista: as eleições de 2026 exigem que quem lidera a campanha saiba combinar experiência e capacidade de ampliar o alcance de voto. Ele cita que, em 2022, o desempenho no estado teve peso decisivo para a conjuntura nacional, e que, por isso, não há espaço para improvisos. Esse raciocínio o leva a defender uma montagem de time que, caso se confirme, precise combinar diferentes referências regionais com um eixo que se sinta confortável aos eleitores de São Paulo.

Quando o assunto é o espaço para o MDB ou para o PSD no tabuleiro da eleição presidencial, França tende a ser cauteloso. Ele não crê em mudanças radicais de posição a curto prazo e aposta na continuidade de uma estratégia coesa que já vem sendo desenhada nos bastidores do governo federal. “Vamos ganhar de qualquer jeito”, ele afirma, com a confiança típica de quem está no centro da arena política, e acredita que a força de Lula pode pavimentar caminhos para acordos que unam diversas forças em torno de um objetivo comum.

Sobre o papel de nomes que já circulam na Confederação do Centrão, França compara o momento a um jogo de chance: é difícil prever quem realmente conseguirá um assento de destaque. Ele cita que, embora existam pretensões dentro do PSD de nomes como Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, o cenário tende a manter esses nomes fora da disputa presidencial direta em favor de assentos no Senado, dada a distância que normalmente separa Bolsonaro dos 25% de votos necessários para viabilizar uma chapa competitiva. A leitura dele é de que as negociações vão se manter tensas, com ajustes pontuais, até o “último minuto” da definição de alianças nacionais.

Por fim, França volta a enfatizar o papel do eleitor paulista como decisivo para o ciclo que se avizinha. O estado, segundo ele, não é apenas o maior colégio eleitoral do Brasil pela quantidade de votos, mas também pela forma como suas escolhas reverberam no conjunto da Nação. Em entrevista que mistura estratégia, relação institucional e uma boa dose de pragmatismo, ele reforça: no fim das contas, tudo passa pela capacidade de Lula de manter o alinhamento com quem pode ampliar a base de apoio e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio necessário para avançar as reformas e propostas que interessam ao País.

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Jornalista

André Santos

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