Lula avalia socorro a Cuba diante de colapso, sob pressão de Trump

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Governo Lula avalia socorro a Cuba à beira do colapso e sob forte pressão de Trump

Governo brasileiro avalia enviar remédios e alimentos ao país caribenho. Crise energética vem afetando até mesmo o abastecimento de aviões com destino ao país

O cenário que envolve Cuba volta a ganhar destaque internacional diante de uma crise energética que se intensifica na ilha. O governo brasileiro está avaliando a possibilidade de encaminhar ajuda humanitária ao país vizinho, em meio a pressões externas e a um momento de instabilidade regional. Em Brasília, houve uma reunião nesta quinta-feira (12/02) envolvendo a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, para discutir o tema.

Segundo uma fonte governamental, o Brasil analisa enviar remédios e alimentos a Cuba, ainda sem definição sobre qual o volume, quando poderia chegar e nem mesmo a forma de entrega. Isso ocorre porque o governo cubano tem restringido o uso de combustíveis na aviação, o que complica a logística de qualquer operação aérea.

A ideia de apoio humanitário seria viabilizada pelos Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Agrário (MDA). Na visão de integrantes do governo, a interpretação é de que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “estrangular” economicamente o regime cubano para pressionar uma mudança de regime. {Essa avaliação é compartilhada por parte do governo, que encara o tema como sensível diante da atuação externa contra Cuba.}

Além disso, a própria discussão aponta que o tema será levado também para o contexto da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA, prevista para março. Procurados, o Palácio do Planalto, o Ministério das Relações Exteriores, da Saúde e o MDA não responderam aos questionamentos. Em público, Lula já criticou, na semana passada, as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba durante evento do PT.

No dia a dia, a crise energética cubana vem agravando vários setores. O embargo norte-americano ampliou dificuldades ao impor tarifas a países que negociarem petróleo com o regime cubano, e houve a detenção do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, o que também impacta o relacionamento regional. Maduro e o regime cubano eram próximos, com a Venezuela oferecendo petróleo em troca de serviços médicos; desde a detenção, as remessas venezuelanas de petróleo ao país foram interrompidas.

Com o aumento das dificuldades, Cuba também ajustou o funcionamento de bancos e impôs restrições ao comércio de combustíveis, já que não produz petróleo localmente. O setor de transporte, hospitais, escolas e turismo passaram a sentir os impactos, e o turismo, uma das principais fontes de renda, aparece entre os mais sensíveis a esse cenário de aperto. Enquanto isso, a aviação tem sentido o efeito das restrições: a Air Canada comunicou a suspensão de voos para Havana e várias empresas passaram a fazer escalas na República Dominicana.

Um diplomata ouvido pela imprensa, em condição de reservado, afirma que uma das opções em estudo é o envio de ajuda por via aérea. Caso seja escolhido esse caminho, a ideia é que as aeronaves partam de aeroportos da região Norte do Brasil, para conseguir voar até Cuba e retornar sem depender de reabastecimento na ilha. A crise cubana mobilizou também atos de solidariedade de outros países: nesta quinta-feira, embarcações da Marinha do México chegaram à ilha levando ajuda humanitária.

De acordo com o governo mexicano, uma das embarcações transportava cerca de 536 toneladas de alimentos — leite, arroz, feijão, sardinha, itens cárneos, biscoitos, atum enlatado e óleo vegetal, além de itens de higiene pessoal —; a segunda remessa trazia pouco mais de 277 toneladas de leite em pó. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que novos envios estão previstos, mesmo diante da pressão norte-americana.

A ameaça de novas sanções por parte de Washington vem aprofundando as dificuldades de abastecimento na ilha. Raul Díaz-Canel descreveu as medidas como um “bloqueio energético”, alertando que afetam transporte, hospitais, escolas, turismo e a produção de alimentos. O turismo, uma das maiores fontes de receita de Cuba, é apontado como um dos setores mais vulneráveis nesse cenário.

Caso o Brasil decida pela ajuda, não seria a primeira vez que o país envia apoio a Cuba. Em fevereiro de 2024, o Brasil encaminhou 125 toneladas de leite em pó, em um acordo com Cuba e Emirados Árabes Unidos para promover a segurança alimentar na região.

No fim das contas, a situação ressalta os dilemas de cooperação regional diante de pressões externas e agravamentos estruturais. Mas, no dia a dia, o que isso muda para você, leitor? A solidariedade entre países latino-americanos pode ser um caminho de diálogo e estabilidade, ou apenas um passo provisório diante de um quadro instável?

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Jornalista

Fernanda Costa

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