Tarcísio afirma que não disputaria a Presidência nem sob pedido de Bolsonaro
Governador de SP reforça posição, planeja encontro com o ex-presidente e mantém apoio a Flávio Bolsonaro, em tom de solidariedade e estratégia política
Em meio a ruídos sobre cenários eleitorais, o Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo pelo Republicanos, deixou claro que não pretende concorrer à Presidência, mesmo que Jair Bolsonaro o convidasse formalmente. A declaração foi dada durante entrevista à rádio Jovem Pan Sorocaba, publicada na última terça-feira. Tarcísio foi categórico: a ideia de ser candidato não existe para ele, e a resposta, se a situação fosse colocada, seria um duro “não”.
Na prática, ele lembrou de uma conversa recente com o ex-presidente durante a visita de Bolsonaro, quando o tema posição presidencial apareceu. Segundo o governador, a resposta dele foi simples: manter o foco em São Paulo e seguir com o trabalho no governo estadual. O recado é claro: não há pressa nem interesse em migrar para a política federal.
Além disso, Tarcísio já deixou reservado o tom da conversa que pretende manter com Bolsonaro nesta quinta-feira, 29. Segundo ele, o encontro não terá como eixo principal a corrida ao Planalto, mas funcionará como um gesto de solidariedade entre aliados. “Vai ser um papo de amigo. Vou falar de amenidades, ver se ele precisa de algo, demonstrar apoio e carinho pelo que estamos fazendo para ajudá-lo”, descreveu o governador, destacando que esse encontro não se transformará em palanque.
No campo das alianças, o governador reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ, apontando que, na prática, o candidato de referência de Bolsonaro é Flávio ou quem o ex-presidente indicar. Ele escolheu o Flávio, então o compromisso dele estaria com esse nome. Também ressaltou que é natural que alguém da família inspire mais confiança ao ex-presidente, que hoje cumpre pena por decisões ligadas ao cenário político.
Questionado sobre rumores de eventual desentendimento com Flávio, Tarcísio negou qualquer atrito e manteve que a relação entre eles sempre foi adequada. A conversa entre as duas lideranças, segundo o governador, foi marcada pela clareza e pelo apoio mútuo, especialmente no momento em que Bolsonaro precisou de portas abertas e de aliados para sustentar o projeto que lideram.
Mesmo diante de especulações sobre o futuro político dele próprio, Tarcísio deixou claro que sua rota está voltada à reeleição do governo paulista. A lealdade ao ex-presidente continua em evidência, e o governador diz que continuará apoiando Flávio Bolsonaro na visão de que esse caminho é o que melhor representa o projeto atual de continuidade política da família Bolsonaro.
No cotidiano político, o recado é simples: manter alianças estáveis, priorizar a gestão eficaz de São Paulo e manter o canal aberto com Bolsonaro, ao mesmo tempo em que sustenta o apoio a Flávio Bolsonaro no cenário nacional. Para o eleitor comum, isso pode soar como sinal de continuidade e planejamento estratégico, com pouca pressa de mudanças radicais no tabuleiro.
Para quem acompanha de perto, fica o recado de que, mesmo sem grandes movimentos de campanha anunciados, a relação entre os protagonistas da direita brasileira continua atuando nos bastidores, com gestos de apoio, encontros amistosos e uma leitura compartilhada de prioridades: governar bem, manter alianças e prezar pela unidade entre aliados.