Renan Calheiros: “Fraude do Master é impossível sem cobertura politica”
Senador alagoano acusou Hugo Motta e Arthur Lira de chantagear um ministro do TCU para encerrar o caso
Na coletiva da noite de quarta-feira, 11, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que a fraude envolvendo o Banco Master não poderia ter se estabelecido sem uma rede de proteção política. Em sua leitura, há uma engrenagem entre poderes que tornou possível a continuidade do caso e dificultou que ele fosse apurado com transparência.
Ele apontou dois nomes do centrão como protagonistas de uma suposta pressão: o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL). Segundo Calheiros, os dois teriam chantageado o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), para impedir que o BC encerrasse as atividades do Master.
“Um ministro do TCU tenta esconder com sigilos as chantagens que recebeu” — descreveu o senador, ao falar sobre o clima entre o magistrado e os pares no tribunal. A denúncia de Calheiros também citou a possibilidade de o tema ter sido discutido em encontros com autoridades do STF e da Polícia Federal, ampliando o interesse público sobre o tema.
Calheiros explicou que a decisão do relator do caso, o ministro Jhonatan de Jesus, de adotar sigilo mais rígido nos documentos da investigação de liquidação do Master pelo BC, elevou ainda mais as dificuldades de acesso às informações relevantes, não apenas para o BC, mas para outros ministros do TCU. Na visão dele, esse endurecimento de sigilo estaria alinhado com a finalidade de dificultar a fiscalização.
O ministro Jhonatan de Jesus justificou que as novas regras de acesso visam evitar vazamentos e eventuais abusos na divulgação de dados sensíveis. A posição foi lida como uma tentativa de evitar distorções que pudessem prejudicar a apuração, ainda que tenha sido interpretada por críticos como uma barreira à transparência.
De acordo com Calheiros, os documentos da área técnica da investigação deveriam ser entregues ao gabinete de Jhonatan de Jesus nesta quinta-feira, 12, para que o relator possa conduzir os próximos passos da comissão responsável pela avaliação da liquidação do Master pelo BC. No dia a dia, ele destacou que esse encaminhamento é essencial para que a apuração avance com base em informações completas e auditáveis.
Em resposta às acusações, o deputado Arthur Lira emitiu uma nota na qual negou as imputações, acusando Calheiros de “criar fake news” para ganhar espaço na mídia e atacar adversários sem provas. Além disso, Lira declarou que não compactua com chantagens contra o Governo e o Parlamento, reforçando que o tema é sensível e envolve acusações graves que merecem apuração cuidadosa. Procurado, o gabinete de Motta foi contatado pela imprensa, mas ainda não houve retorno sobre o assunto.
Enquanto o caso segue em pauta, o clima entre as alas políticas envolvidas permanece tenso. O debate, que envolve o possível peso político na condução de uma decisão tão relevante quanto a liquidação do Master, desperta a curiosidade do público sobre quem tem realmente o controle das informações e qual o impacto prático dessas condutas para o dia a dia do cidadão.
Para quem observa os bastidores, a história aponta para uma encruzilhada entre investigação técnica, decisões judiciais e o jogo político. No fim das contas, resta saber como as peças vão se alinhar e qual será o desfecho que influenciará o funcionamento do sistema financeiro e a confiança da população nas instituições envolvidas.