Maduro: após um mês, Venezuela entre esperança e temor

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Maduro. Um mês depois, Venezuela entre esperança e temor

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Estamos acompanhando este liveblog sobre as tensões internacionais em transição, desde o afastamento de Nicolás Maduro do poder em 3 de janeiro. A atmosfera na Venezuela tem semblante de tranquilidade, porém o coração da população oscila entre esperança e temor, com uma dose de incerteza que pede ponderação no dia a dia.

Um construtor civil de 60 anos resume a situação com cautela. Ele lembra que já enfrentou tempos difíceis no país, incluindo episódios marcantes como o Caracazo — uma explosão social que resultou em saques e perdas humanas expressivas — para lembrar que os riscos existem e que a mudança abrupta aumenta a ansiedade. “No fundo, é preciso esforço coletivo para manter tudo sob controle”, avalia.

Para Maria Eugenia Pérez, uma concierge de 45 anos, o som dos helicópteros norte‑americanos que cruzaram o céu de Caracas na virada trouxe arrepios. Ela relembra aquele momento de tensão e aponta que intervenções externas costumam gerar instabilidade; a transição política, a seu ver, exige estabilidade interna para evitar novos ciclos de crise.

Em relação ao cenário institucional, Washington teria lançado uma operação com o objetivo de capturar o líder venezuelano e sua companheira, afirmando que o governo permaneceria temporariamente até concluir a transição. “A ideia de tutelar o país a partir de fora não soa bem a muitos de nós; é preciso mais que promessas para devolver a tranquilidade necessária”, comenta Pérez.

De acordo com Andreína Marquéz, uma contabilista de 41 anos, a realidade ainda parece distante de uma mudança concreta, mas ela acredita que “algo precisa melhorar” e que os venezuelanos devem se reencontrar. “A notícia de amnistia aos presos políticos é um sinal, um passo que pode abrir caminho para uma abertura política, eleições livres e justiça”, diz ela, com cautela.

Enquanto isso, Eduardo Yepez, um empregado de mesa de 50 anos, relata que os clientes conversam sobre a instabilidade, porém evitam assumirem posições firmes. “Alguns ainda afirmam que algo tem que mudar em breve; por outro lado, a realidade econômica não oferece sinais de recuperação”, observa. A queda no movimento de bares e restaurantes é uma evidência adicional dessa inquietação.

Com o apoio das Forças Armadas, Delcy Rodriguez, vice‑presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país. Enquanto isso, Maduro e a sua esposa prestaram declarações breves em Nova York, respondendo a acusações de tráfico de drogas, corrupção e branqueamento de capitais, mantendo a postura de inocência. A próxima audiência foi marcada para 17 de março.

Venezuela, no radar global, segue sob observação: o equilíbrio entre esperança e temor molda o dia a dia de quem tenta entender para onde o país caminha, entre promessas de reformas, pressões internacionais e a luta cotidiana por uma vida mais estável.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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