Justiça argentina pede a EUA extradição de Maduro
Argentina pede extradição de Maduro para o interrogar no âmbito de uma investigação de crimes contra a humanidade. Caso EUA não acedam ao pedido, sugerem realizar o interrogatório em solo americano.
Nesta quarta-feira, a Justiça argentina acionou um pedido formal de extradição para Nicolás Maduro Moros, ex-presidente da Venezuela, que foi detido pelos Estados Unidos. A ação se ancora no princípio da jurisdição universal reconhecido pela Constituição argentina, e o juiz federal Sebastián Ramos encaminhou o peticionamento aos Estados Unidos para que Maduro possa ser ouvido no âmbito de uma investigação por crimes contra a humanidade.
Desde 2024, o sistema judicial da Argentina já havia sinalizado a possibilidade de manter Maduro sob vigilância no marco deste caso, em resposta a denúncias apresentadas por diversas organizações não governamentais. A captura ocorreu no dia 3 de janeiro, em Caracas, durante uma operação militar liderada pelos EUA, seguida do transporte do líder venezuelano para o território norte‑americano. Além das acusações de crimes contra a humanidade, Maduro é apontado como responsável por narcoterrorismo. Ele, que estava no poder até recentemente, se declarou inocente no início de janeiro, durante uma audiência em Nova Iorque. A próxima sessão está marcada para o dia 17 de março, e, até lá, ele continuará detido, assim como a esposa, a ex-congressista Cilia Flores.
Sobre as possibilidades de extradição, o advogado Tomas Farini Duggan, que representa um fórum de ONG ligado ao conjunto de queixas, afirmou que, se os EUA não atenderem ao pedido, será explorada a opção de realizar o interrogatório de Maduro em solo norte‑americano. A declaração do representante reforça a ideia de que a cooperação entre países pode avançar pela via judicial, mesmo diante de divergências políticas.
Este não é o primeiro uso do princípio da jurisdição universal pela Justiça argentina. Ao longo dos anos, tribunais do país perceberam casos internacionais, inclusive ligados a genocídio e a crimes contra a humanidade. Em 2021, houve uma investigação sobre crimes cometidos por militares birmaneses contra a minoria rohingya em Mianmar, e em 2022 uma apuração contra o presidente nicaraguense Daniel Ortega. Em 2025, o Judiciário ordenou a detenção do atual líder da junta militar em Mianmar, Min Aung Hlaing, juntamente com cerca de 20 antigos responsáveis militares e civis. No dia a dia, esses casos revelam como a jurisdição universal pode aproximar justiça internacional de situações que transcendem fronteiras.
Para a vida cotidiana do leitor, o episódio ilustra como a Justiça pode cruzar fronteiras para responsabilizar autoridades por violações graves de direitos humanos, mesmo quando o país envolvido não é o da vítima. No fim das contas, trata-se de uma lembrança de que o regime de leis pode ter alcance além‑mar, conectando decisões judiciais a temas de peso global e à esperança de justiça para centenas de pessoas afetadas por crimes graves.