Tarcísio reforça apoio a Flávio, chama desabafo e mira reeleição em SP

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Tarcísio reafirma apoio a Flávio, chama mensagem de ‘desabafo’ e repete que tentará reeleição em SP

Governador tem sido alvo de críticas do bolsonarismo por suposta falta de apoio explícito à candidatura do filho de Jair Bolsonaro

Em Suzano (SP), nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deixou claro que manterá o respaldo a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Flávio é tratado por ele como um grande nome e o próprio Tarcísio afirmou que é o seu candidato, garantindo que o apoio virá com firmeza. “A direita vai estar unida em torno de um nome e meu nome é o Flávio”, declarou, deixando explícita a leitura de que o filho de Jair Bolsonaro pode assumir pauta central no conjunto político do momento.

No dia a dia, a fala parece consolidar a leitura de que o bolsonarismo pode seguir alinhado a Flávio, com palanque e alinhamento de forças a favor do nome apresentado. Além disso, há quem avalie que a posição pública de Tarcísio já sinaliza uma unidade entre as forças, mesmo diante de críticas internas que pedem manifestações mais enfáticas de apoio ao filho de Bolsonaro.

A cobrança ganhou corpo após a publicação, na terça-feira, 13, de um vídeo com tom presidencial feito pelo governador em um evento empresarial no ano anterior. A postagem foi republicada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, comentou que “nosso País precisa de um novo CEO, meu marido!”. Esse gesto foi interpretado pelos bolsonaristas como um sinal de que Tarcísio ainda se movimentava para um pleito nacional, contra o qual o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou Flávio como sucessor.

Como desfecho dessa partir desse entendimento, o ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL-SC) ironizou a situação ao postar uma foto de João Doria segurando um cartaz escrito “CEO”. Doria é visto pelo bolsonarismo como traidor por ter conquistado apoio de Bolsonaro e, depois, rompido com o ex-presidente. Em resposta, Tarcísio negou que a publicação tenha relação com o jogo presidencial. “A mensagem é um desabafo contra o PT”, disse ele. “A gente está dizendo ali o seguinte: precisamos de um gestor que pense o Brasil, tenha liderança para enfrentar os grandes desafios e resolver os problemas. Quando você fala que o Brasil precisa de um novo gestor, e aquilo foi falado no contexto de um evento empresarial, por isso menciona-se o CEO, a gente está falando que não dá mais para o PT”, explicou o governador com clareza.

Mesmo assim, Tarcísio deixou claro que não é possível afirmar que ele desistiu da candidatura presidencial, pois, para ele, essa candidatura “nunca existiu”. E nessa linha, aliados de Flávio trabalham nos bastidores para ampliar a pressão. A ideia é lançar Filipe Sabará, ex-secretário, como candidato a governador pelo PP em São Paulo, como forma de forçar o governador a disponibilizar palanque para o filho 01 de Bolsonaro — caso contrário, a estratégia seria fazer de Sabará o candidato de Flávio no estado.

Sabará encontrou o governador na segunda-feira e afirmou que Tarcísio se comprometeu a apoiar Flávio “na hora certa”. “Reforcei a cobrança de que os bolsonaristas cobrem um apoio mais enfático”, disse Sabará, acrescentando que, mesmo com apoio explícito já dado em entrevistas, o governador ainda garantirá total suporte e palanque necessário a Flávio, quando chegar o momento adequado.

De um lado, as cartas parecem jogadas no mesmo naipe; do outro, a leitura é de que o feitiço pode se inverter com o tempo, alterando os cenários de 2026. Mas, no fim das contas, o que fica para o eleitor comum é uma disputa interna que pode influenciar a pauta cotidiana e a percepção pública sobre quem terá força para conduzir o Brasil nos próximos anos.

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Jornalista

Lucas Almeida

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