Presidente da federação do Senegal acusa Marrocos de mandar na CAF
Abdoulaye Fall afirma que influência política e financeira marroquina interfere nas decisões do futebol africano
Em uma manifestação contundente sobre o poder por trás das cadeiras do futebol africano, Abdoulaye Fall, presidente da Federação Senegalesa de Futebol (FSF), apontou o dedo para Marrocos e sua suposta influência sobre a CAF, a confederação que comanda o esporte no continente. Em entrevista ao jornal Le Soleil, Fall foi direto ao ponto: segundo ele, “Marrocos manda na CAF” e detém recursos que moldam as decisões internas, mesmo quando outras nações tentam se posicionar contra esse domínio. Afirmou ainda que, na prática, o cenário é de controle quase absoluto por parte do país do norte da África, algo que o Senegal não teria ousado enfrentar até agora.
Para o dirigente, essa força econômica e política não é apenas uma percepção, mas uma realidade que dificulta a atuação de outros países. Ele lembrou que muitos não têm coragem de ir de encontro à vontade de Rabat, o que, segundo ele, dificulta qualquer oposição às diretrizes da CAF. Em suas primeiras declarações após a conquista do Senegal na Copa Africana de Nações de 2026, Fall repetiu a ideia de que há um desequilíbrio institucional alimentado por recursos que pesam na balança das decisões.
O tom ganhou ainda mais peso na sequência da disputa pela CAN 2026, quando o Senegal levou o título ao derrotar o Marrocos pela margem mínima de 1 a 0, na prorrogação, diante da torcida anfitriã. Nesse contexto, Fall também relembrou os problemas enfrentados antes da final, quando a federação manifestou insatisfação com as condições oferecidas à delegação senegalesa antes do jogo decisivo. A leitura dele é de que tudo isso faz parte de um padrão de tratamento que favorece o país que recebe o torneio, apontando para um desequilíbrio que extrapola o campo técnico.
Além disso, o presidente da FSF contou que houve uma reunião com o presidente da Federação Real Marroquina de Futebol e outros dirigentes, mas, segundo ele, não houve qualquer solução que pudesse amenizar as ressalvas apresentadas pela delegação senegalesa. “Um jogava a responsabilidade para o outro. Foi ali que percebi que estavam tentando nos enganar”, concluiu Fall, deixando claro que as dificuldades vão além da simples organização de uma partida.
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