Música que ironiza prisão de Maduro viraliza: “Onde estão os comunistas que iam ajudá-lo?”
Ritmo é familiar: imita jingles usados pelo regime chavista, então acompanhados por passos de dança de Maduro
Uma música gerada por inteligência artificial ganhou enorme visibilidade nas redes ao ironizar a prisão de Nicolás Maduro, questionando onde estão os aliados que prometiam ajudá-lo e celebrando a eventual queda do ex-presidente venezuelano. O ritmo remete aos jingles associados ao chavismo e vem acompanhado de passos de dânda que parecem ter saído do cenário público de Maduro, dando ao músio uma leitura de parôdia.
Quem assina esse trabalho é Miguel Alejandro Herrera, produtor musical e comentário digital, que dublou a música em espanhol. Em entrevista ao The News York Times, publicada nesta semana, Herrera contou que a canção só faz sentido como celebração da queda de Maduro e como critica aos países que o apoiavam. A obra ganhou contúnio após a ação dos Estados Unidos em Caracas, em 3 de janeiro, que gerou uma nova onda de discussão internacional.
Desde o dia 8 de janeiro, o clipe já acumula números expressivos: mais de 11 milhões de visualizações no TikTok e cerca de 5 milhões no Instagram, com milhares de comentários comemorando a suposta captura de Maduro. Segundo a abordagen da reportagem, o criador e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos pelos EUA e responderão a acusações de narcoterrorismo em um tribunal de Nova York.
A leitura da situação varia conforme o lado na esfera política. Do outro lado, a versão apresentada pelo governo venezuelano, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, sustenta que multidões foram às ruas para exigir a libertação de Maduro e protestar contra a intervenção estrangeira. Há relatos, inclusive, do aumento da repressão em função da mudança de governo.
Nas redes, o vídeo segue em alta e se transforma em vozes para milhares de venezuelanos que deixaram o país em decorrência da crise econômica e das violações de direitos humanos sob o regime. “Eu digo o que as pessoas dentro da Venezuela não podem dizer”, afirma Herrera. “Muitas pessoas me escrevem dizendo que guardaram a música para tocar bem alto nas ruas.”
No fim das contas, a história reforça como a resistência imagi-nária de um artista pode dar voz a quem vive sob pressão, ao passo que o entretenimento atravessa fronteiras e acende debates sobre alianças, poder e liberdade de expressão em contextos de crise política.