Rui Costa e Rafinha ‘seguram’ o futebol em nova gestão e viram a chave no vestiário do São Paulo
Na reformulação conduzida por Harry Massis Júnior no São Paulo, o executivo de futebol Rui Costa recebeu o aval da presidência para ajustar o departamento e já vê sinais de mudança com a chegada de Rafinha, em meio a uma crise que marcou o fim da gestão anterior.
Completando cinco anos no cargo no início deste mês, Rui Costa ganhou de reforço a contratação de Rafinha, indicado para atuar como gerente esportivo. A decisão veio a partir de um acordo entre o dirigente e a presidência, em um momento em que a gestão viveu a crise que levou ao fim da administração de Casares. A aposta é clara: reorientar o vestiário, alinhar a comissão técnica e colocar o clube em uma rota mais estável no campo e fora dele.
Desde a chegada de Rafinha, o trabalho de Rui Costa já respira em novas diretrizes. A dupla, segundo o clube, começa a mostrar resultados em campo, com duas vitórias registradas desde a entrada do ex-jogador no posto de gerente esportivo. Os triunfos surgem em confrontos de peso, destacando o poder de decisão do novo grupo sobre rivais diretos como Flamengo e Santos, marcando uma virada de postura para o time.
Nos corredores, o clima do vestiário já recebe elogios públicos aos dois protagonistas. Em meio aos bastidores, o desempenho de Crespo — o técnico argentino que comanda a equipe — é colocado como parte essencial da nova fase. “Crespo é o nosso treinador. Foi muito vitorioso, é muito inteligente”, afirma o gerente esportivo, reconhecendo a necessidade de manter equilíbrio entre pressão, finanças e resultados. No entanto, também fica claro que, no calor do pós-jogo, podem aparecer falas que exigem leitura cuidadosa, especialmente quando surgem atrasos ou ajustes de reforços.
Nesse cenário, a nova gestão traça uma linha de atuação para evitar que pendências comprometam o rendimento técnico. O atraso no pagamento de direitos de imagem de atletas foi citado como exemplo do que não pode virar muleta para maus resultados. A orientação é simples: quitar as pendências com rapidez e manter a regularidade dos vencimentos, o que influencia diretamente a confiança do elenco e a relação com a comissão técnica.
No fim de 2025, Rui Costa já era o elo entre a presidência — então sob Júlio Casares — e o elenco, atuando quase como uma ponte única. Com a entrada de Massis, houve uma guinada de gestão, abrindo espaço para uma relação de escuta com o time e buscando melhorias no extracampo. No cenário das investigações que cercam o clube, o próprio Rui Costa aparece entre as referências citadas em inquéritos decorrentes de uma denúncia anônima; a Polícia Civil, por ora, foca em entender o perfil profissional do dirigente. A principal linha envolve uma empresa parceira do São Paulo há 20 anos, apontada como possível laranja, antes da chegada de Rui Costa.
Massis também promove mudanças para aproximar opositores de Casares. O assessor de imprensa do futebol, Felipe Espindola, assume a diretoria de comunicação no lugar de José Eduardo Martins, demitido recentemente. Além dele, outros nomes ligados à oposição ao ex-presidente também integraram a gestão: Miguel Sousa passa a dirigir o clube social; Flavio Marques e Dário Speranzini passam a atuar como assessores financeiros; e Caio Forjaz assume a assessoria jurídica.
Após a troca de comando, o CEO Márcio Carlomagno — visto como braço direito de Casares — deixou o clube, assim como Dedé, que, em declaração à época, explicou que a decisão foi tomada para autopreservação. Em termos práticos, o recado é claro: a direção trabalha para reorganizar estruturas e comunicação, alinhando o discurso com as mudanças em curso.
No fim das contas, o que se observa é uma aposta estratégica para colocar o São Paulo em um novo eixo: menos turbulência, mais clareza de objetivos e um vestiário mais consolidado. A leitura para o torcedor comum é simples, porém importante: com Rui Costa, Rafinha e Massis, o clube tenta devolver ao time a confiança necessária para competir com regularidade, mantendo as finanças sob controle e o diálogo aberto entre diretoria, elenco e comissão técnica.
- Rui Costa segue como ponto de contato entre diretoria e elenco, buscando estabilidade interna.
- Rafinha chega como gerente esportivo para orientar o futebol do clube.
- Massis promove mudanças na comunicação e na gestão, abrindo espaço para novas alianças.
- Plano para quitar dívidas, especialmente os direitos de imagem, para evitar que pendências atrapalhem o desempenho.