Lula solicita que Trump inclua a Palestina no Conselho da Paz

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Lula pede a Trump participação palestina em Conselho da Paz

Em telefonema, líder brasileiro sugere focar o Conselho da Paz nas questões da Faixa de Gaza e incluir representante da Autoridade Palestina; a participação de Lula não está garantida e depende da resposta dos EUA. Além disso, a conversa abordou reformas na ONU, a aproximação com os EUA e a situação na Venezuela.

Em uma ligação que durou cerca de 50 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu a Donald Trump uma ideia que costuma dividir opiniões: restringir o chamado Conselho da Paz aos temas da Faixa de Gaza e, nessa linha, incluir um(a) representante da Autoridade Palestina. A proposta, segundo o Palácio do Planalto, não garante a participação de Lula no colegiado e também não recebeu uma resposta final do governo norte‑americano. O que se sabe é que a decisão final dependerá, segundo uma fonte palaciana, da resposta dos EUA às sugestões brasileiras.

No pano de fundo, há a leitura de que a ONU precisaria manter o círculo de decisões sobre a região sem substituí‑la por um novo órgão — a leitura aponta para o desconforto brasileiro com a ideia de deslocar a organização internacional. A Agência explicou que a ONU já havia apoiado a criação de um conselho para tratar de Gaza após o cessar‑fogo, com a presença de representantes palestinos, estruturado dentro das regras da própria ONU. Nesse cenário, cresce a percepção de que os EUA desejam mudar a arquitetura institucional, o que não agrada ao Brasil.

Mesmo assim, o Palácio do Planalto reforçou a defesa de uma reforma mais ampla da ONU, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Esse é um pedido antigo do governo brasileiro, que volta a ganhar força diante de temas relevantes e atuais, como os ataques de Israel à Gaza. No recado deTrump, porém, ficou a sinalização de que o Conselho da Paz trabalharia em conjunto com a ONU, ainda que ele preserve um poder de veto sobre as decisões do colegiado.

Durante a conversa, Lula e Trump também trataram de outras pautas, incluindo a possibilidade de uma visita oficial do brasileiro aos Estados Unidos ainda neste primeiro semestre, após as viagens à Índia e à Coreia do Sul, previstas para ocorrer no meio de fevereiro. O fato, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, é que o mais provável é que a visita aconteça em março, com negociações sobre a data específica já em curso nos próximos dias.

No âmbito regional, Lula enfatizou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região ao comentar a situação na Venezuela. Segundo a fonte, Trump abordou a ação militar norte‑americana no país, que resultou na transferência de Nicolas Maduro para os EUA. Lula, por sua vez, disse esperar que a relação entre Trump e a atual presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, se traduza em maior estabilidade para a nação vizinha. O ex‑presidente brasileiro também se ofereceu para atuar como mediador entre os dois países, mas não houve resposta positiva de nenhum dos lados.

Ao longo da conversa, Lula também reiterou críticas à operação militar norte‑americana no território venezuelano, que classificou como uma intervenção desrespeitosa, e ressaltou a necessidade de trabalhar pelo bem‑estar do povo venezuelano, trecho citado pela recém mencionada nota do Planalto. Além disso, a dupla discutiu como evoluía a relação entre Brasil e EUA, com o relato de que o processo de cooperação vinha se fortalecendo nos meses recentes, inclusive no que se refere ao comércio de produtos brasileiros, onde o recuo de tarifas no segundo semestre do ano passado é citado como indício de um bom entendimento.

Na prática, a conversa sinalizou que, apesar de eventuais divergências, a relação entre Lula e Trump permanece em termos cordiais, com a expectativa de que o diálogo continue abrindo espaço para temas sensíveis e prioritários para o Brasil. E, no dia a dia da política, resta acompanhar como as posições se traduzem em ações concretas, desde a agenda bilateral até as discussões sobre a arquitetura internacional e a paz na região.

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Jornalista

Renata Oliveira

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