Bolsonarismo forte sem Bolsonaro, Lula pode vencer no 1º turno

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Pesquisa revela força do bolsonarismo sem Bolsonaro e um cenário que pode favorecer Lula já no primeiro turno

AtlasIntel mostra crescimento acelerado de Flávio Bolsonaro

Entre leituras recentes da AtlasIntel, o mapa eleitoral de 2026 ganha novas nuances. O observatório aponta que Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma atuação estável no patamar de quase metade do eleitorado no cenário de primeiro turno, variando entre 47% e 49%, enquanto a direita aparece dividida e com movimentos claros para Flávio Bolsonaro, que firma a queda de Tarcísio de Freitas no levantamento. Na prática, a soma dessas tendências levanta a possibilidade de Lula vencer já no primeiro turno, mesmo com o bloco conservador ainda dividido. Além disso, o estudo destaca que, em cenários com Lula, Flávio e Tarcísio concorriendo juntos, Lula aparece na dianteira com 48,4%, seguido por Flávio com 28% e Tarcísio com 11%.

Quando o governador de São Paulo fica isolado como representante da direita, seu índice de intenção de voto chega a 28,4%, quase empatado com o desempenho anterior de Flávio em cenários sem o confronto entre as duas alas conservadoras — ainda que esse patamar esteja longe do potencial demonstrado pelo sobrenome Bolsonaro quando não há divisão entre as forças de direita.

Para entender o fenômeno, o jornalista Mauro Paulino, novo colunista de VEJA, aponta que a ascensão de Flávio não depende tanto da pessoa em si quanto da força simbólica do bolsonarismo. “A transferência de votos não é apenas sobre Jair Bolsonaro, mas sobre a marca que se consolidou no eleitorado”, diz ele. Esse capital eleitoral, segundo a leitura, flui quase que automaticamente para quem carrega o sobrenome Bolsonaro, um efeito que explica a subida de Flávio de 23% para 35% em apenas três rodadas, enquanto Tarcísio recuou de patamares acima de 30% para perto de 28%.

A conclusão é clara: a direita, ao enfrentar uma fragmentação interna, perde o peso ideológico para ganhar na prática o peso da marca. Quem controla esse ativo, controla o eleitor.

Mas e o cenário de confronto direto com Lula? Entre dirigentes e analistas, circulou a ideia de que Flávio seria o adversário ideal para Lula, justamente por carregar resistência elevada. Os números, porém, mostram outra história: na simulação em que apenas Tarcísio enfrenta o presidente, Lula chega a 48,5%, um valor que anima a leitura de um possível embate de primeira volta, caso a direita não encontre uma unidade eficaz.

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A fragmentação do eleitorado conservador, somada à ausência de uma terceira via consistente, alimenta a possibilidade de a disputa se consolidar antes da fase final em cenários apertados. Em segundo turno, a distância permanece estreita: Lula aparece com 49% na comparação com os principais nomes da direita, obtendo um empate técnico em alguns cenários. Quando o duelo é com Flávio, o placar fica em 49% a 45%; diante de Tarcísio, o equilíbrio é semelhante. Paulino resume: essa leitura revela uma clivagem estrutural do eleitorado brasileiro desde 2018, que se divide quase meio a meio diante de opções entre esquerda e direita. E, se o teto de Lula já se mostraria próximo dos 49%, o que muda na prática é o tamanho da pedra no caminho da união da direita.

Ainda assim, um ponto chama atenção: Lula parece não crescer muito do primeiro para o segundo turno, mantendo o teto ao redor de 49%. Paulino comenta que, historicamente, candidatos costumam ampliar votos na rodada final, o que, se confirmado, enfatizaria o risco para a direita caso permaneça dividida. Em outras palavras, a divisão interna pode ser decisiva para antecipar o desfecho da eleição.

A pergunta que fica é: a direita consegue ou quer falar com uma voz única diante de um cenário tão competitivo? A leitura é de que, quanto mais a direita se fragmentar entre herdeiros do clã Bolsonaro e aliados periféricos, maior a margem de manobra de Lula para vencer sem depender de um segundo turno. E, nesse sentido, o caminho não é apenas escolher nomes, mas traçar uma estratégia comum de comunicação e alinhamento.

VEJA+IA: este trecho sintetiza um trecho do programa televisivo Os Três Poderes, apresentado com apoio de inteligência artificial e supervisão humana.

Conteúdo produzido com auxilio de inteligência artificial e supervisão humana. Publicidade

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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