Trump impõe tarifa de 25% a países com laços comerciais com o Irã
Presidente americano afirma que a medida entra em vigor imediatamente, enquanto protestos no Irã entraram na terceira semana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos originários de países que mantenham laços comerciais com o Irã. A determinação, segundo ele, passaria a valer imediatamente, ainda que não tenha detalhado o que exatamente configura “fazer negócios” com a República Islâmica.
“Qualquer país que faça negócios com o Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios realizados com os Estados Unidos”, escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando que a ordem é final e conclusiva.
Na prática, a maior parte das relações comerciais com o Irã se mantém com parceiros como China, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia. Abaixo, veja quem compõe esse grupo no cenário global.
- China
- Iraque
- Emirados Árabes Unidos
- Turquia
- Índia
No caso do Brasil, as trocas com o Irã também existem. Em 2025, as exportações brasileiras para Teerã somaram US$ 2,9 bilhões, ficando na 31ª posição entre os maiores clientes do país. Entre os itens que mais contribuíram para o valor, destacam-se o milho não moído (≈ 68%) e a soja (≈ 19%).
Já as importações vindas do Irã atingiram o menor valor registrado nos últimos anos, com US$ 84,6 milhões no ano anterior, colocando o Irã na 82ª posição entre fornecedores do Brasil. Nesse montante, 79% corresponde a adubos e fertilizantes químicos.
A reportagem procurou posicionamento dos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre os impactos para o Brasil, e o retorno ainda não chegou.
A medida americana surge depois de Trump ameaçar intervir militarmente se o Irã fizesse mal a manifestantes. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta segunda-feira que as opções militares, incluindo ataques aéreos, ainda estavam “na mesa”.
Além disso, o governo americano não detalhou quais países seriam mais afetados nem justamente quais setores entrariam na mira da tarifa. A inflação continua alta no Irã e a desvalorização do rial alimenta a agitação interna, com protestos que já se estendem por várias semanas. A escalada de tensão acompanha o endurecimento das sanções internacionais sobre o programa nuclear iraniano, agravando a situação econômica do país e o cotidiano dos moradores.
Os relatos de disputas políticas, violência e dúvidas sobre números oficiais surgem em meio a dificuldades de verificação de informações, devido a interrupções de internet no país. No dia a dia, o panorama é de incerteza sobre como o novo imposto pode alterar trocas comerciais já estremecidas pela crise regional.
Como fica, na prática, a leitura para você e para quem opera no comércio exterior? No fim das contas, mudanças assim costumam reverberar nos preços, nos custos logísticos e nas relações entre indústrias que exportam para o Irã ou dependem dele como parceiro estratégico.