Quais promessas de segurança de Trump à Ucrânia para encerrar a guerra

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Quais as promessas de segurança de Trump à Ucrânia para tentar encerrar guerra

Os presidentes dos EUA e da Ucrânia descrevem as negociações na Flórida como “ótimas”, mas a questão dos territórios permanece “sem solução”.

No fim de dezembro, o território ficou em segundo plano apenas por um instante: a conversa entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump girou, ao menos publicamente, em torno de garantias de segurança para a Ucrânia. Segundo Zelensky, os Estados Unidos ofereceram garantias de segurança por 15 anos durante um debate sobre um plano de paz revisado realizado na Flórida, no fim de semana. Já o ex-presidente americano sinalizou que o acordo sobre esse ponto está “quase 95%” consolidado, embora o líder ucraniano tenha mostrado preferência por um prazo maior, de até 50 anos.

Entre as peças em aberto, as perguntas sobre territórios e o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia — que segue sob controle russo —compõem o quadro de impasse. Zelensky ressaltou que, nessa etapa, esses pontos continuam sem definição definitiva, enquanto Donbas permanece no centro da discussão. A conversa na residência presidencial de Mar-a-Lago também destacou que houve avanços em uma linha crucial: a garantia de segurança para a Ucrânia, que o país espera iniciar assim que Kyiv assinar o tratado de paz.

Na prática, as autoridades russas já haviam rejeitado trechos considerados centrais do plano de paz, mas, na segunda-feira, um porta-voz do Kremlin reconheceu que a paz parece estar mais próxima, segundo a agência Tass. Zelensky repetiu que, segundo ele, o acordo no conjunto está em torno de 90% definido, reiterando — como quem recorta a meta — que o destino de Donbas continua sendo um obstáculo relevante nas negociações.

Uma leitura importante do cenário veio da agência Reuters: as garantias de segurança, segundo a apuração, devem começar a vigorar no instante em que Kiev assinar o tratado de paz. Alguns analistas disseram que, sem esse tipo de garantia, não há como declarar o conflito encerrado com sinceridade. Nesse ponto, Zelensky pediu que os Estados Unidos considerem a possibilidade de 30, 40, 50 anos, enquanto os EUA ainda não se pronunciaram sobre a duração específica.

Sobre o papel da coalizão ocidental, Trump indicou que os aliados europeus precisariam assumir uma parcela considerável do esforço, com os EUA oferecendo apoio estratégico. No entanto, ele também ressaltou que ações que bloqueiem ou atrasem as negociações podem fazer a guerra se estender ainda mais. Enquanto isso, Zelensky sinalizou que autoridades ucranianas poderiam se encontrar com as lideranças dos EUA na Casa Branca já em janeiro, ao lado de representantes europeus, para alinharem os próximos passos dos diálogos.

Entre os bastidores da atuação europeia, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, celebrou os “bons progressos” das conversas na Flórida e insistiu na necessidade de sólidas garantias de segurança para Kiev. O presidente francês, Emmanuel Macron, comentou também que os aliados de Kiev se reuniriam em Paris, já em janeiro, para tratar do tema com mais foco. A perspectiva de um cessar-fogo temporário, porém, divide opiniões: Zelensky acredita que o plano de paz deveria ser apresentado a um referendo na Ucrânia, mas exigiria um cessar-fogo de 60 dias para viabilizar a votação. A Rússia não apoia esse tipo de pausa, e Putin entrou na conversa por meio de um telefonema com Trump, que, segundo relatos, recebeu a avaliação de Moscou sobre o assunto e saiu da ligação com a convicção de que o cessar-fogo temporário não ajudaria a acelerar o desfecho.

Foi o próprio Trump quem encerrou a conversa, lembrando que Moscou “tem pouco interesse” em um cessar-fogo que permita que a Ucrânia convoque o referendo. Ainda assim, ele afirmou entender a posição russa e reconheceu o esforço de recuperar a confiança de Washington no processo. Enquanto os holofotes permanecem sobre as negociações, o conflito no dia a dia não dá trégua: Kyiv reportou ataques noturnos, embora tenha dito ter contido dezenas de ações russas, e o Ministério da Defesa da Rússia informou a interceptação de grande parte de uma caravana de drones ucranianos, destacando a intensidade dos confrontos na frente de Donbas.

Neste momento, a combinação de promessas de segurança, discussões sobre o tempo de duração das garantias, e os contornos de Donbas mantêm a guerra em um limiar delicado entre o que é possível conciliar no plano diplomático e o que o chão de campo continua a exigir. E para você, leitor, o que essa agenda de segurança muda no cenário atual — compreender as condições de paz, ou apenas aguardar decisões maiores que podem definir o destino de milhões?

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Jornalista

Renata Oliveira

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