Bolsonaro insiste em prisão domiciliar humanitária e aponta ‘vulnerabilidade permanente’
Advogados do ex-presidente fizeram novo pedido a Alexandre de Moraes, argumentando que saúde dele não permite que continue preso na cela da PF
Em uma nova manifestação, a defesa de Jair Bolsonaro voltou a pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a concessão de prisão domiciliar humanitária com base no estado de saúde do ex-presidente. Os advogados afirmam que há uma vulnerabilidade clínica permanente, especialmente após uma queda ocorrida recentemente dentro da cela da Polícia Federal, o que, segundo eles, eleva o risco de novos episódios de instabilidade.
No dia a dia da prisão, Bolsonaro está mantido em uma cadeira de comando da PF dentro da chamada Sala de Estado Maior, que oferece alguns privilégios de infraestrutura. Mesmo assim, a defesa sustenta que o local não tem condições ideais para acompanhar uma saúde tão delicada, em meio a um histórico médico complexo que exige monitoramento contínuo e pronta assistência médica especializada, conforme detalha o laudo apresentado aos tribunais.
O documento médico citado pela defesa enumera problemas como risco concreto de quedas, alterações de memória, episódios súbitos de descompensação cardiovascular, crises hipertensivas, episódios de aspiração e traumas secundários, reforçando a necessidade de vigilância clínica permanente e acesso imediato a atendimento hospitalar. Diante disso, a equipe jurídica argumenta que a permanência na Sala de Estado Maior não atende aos cuidados que o quadro exige.
A discussão sobre a situação judicial de Bolsonaro acontece num contexto em que, apesar dos privilégios da prisão cautelar, o ex-presidente já havia sido movido, em 22 de novembro, para o regime fechado após admitir ter utilizado um ferro de solda para romper a tornozeleira eletrônica. A Justiça interpretou a atitude como tentativa de fuga, o que levou a uma mudança de regime em meio à tensão entre defesa e Ministério Público.
No período de fim de ano, Bolsonaro passou por uma cirurgia para correção de hérnias inguinais. O procedimento foi autorizado por Moraes após laudos médicos da PF apontarem que, embora eletiva, a intervenção deveria ocorrer “o mais breve possível”. Durante a recuperação, ele fez um bloqueio de nervos frênicos para conter crises de soluço. Dias depois, ao retornar à cela da PF, o ex-presidente sofreu uma queda, mas, segundo avaliação médica da PF, não houve necessidade de internação hospitalar. Os médicos particular de Bolsonaro, porém, insistiram na realização de exames complementares na região da cabeça.
Essa disputa clínica ganhou novos contornos públicos, com a defesa reiterando a situação de vulnerabilidade clínica permanente e a PF destacando a necessidade de reformas estruturais para corrigir problemas de saúde que, na prática, atingem o conjunto do prédio da corporação. Enquanto o debate segue, familiares, apoiadores e leitores acompanham com atenção como a pauta pode impactar o andamento do caso e a perspectiva de uma possível prisão domiciliar.