Quem for aos EUA precisa comprovar cinco anos de atividade nas redes

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Novas regras para visitantes aos EUA: cinco anos de atividade nas redes sociais podem ser exigidos

Resumo: o governo norte-americano avalia exigir aos turistas que pretendem entrar nos EUA que declarem atividade online dos últimos cinco anos, além de dados de contato e biométricos; o prazo para consulta pública é de dois meses.

Em meio a uma rodada de mudanças nas políticas de imigração, surgem propostas que vão muito além do simples visto para quem planeja viajar. A ideia envolve um conjunto de informações que o visitante precisaria compartilhar para ter a entrada liberada no país. Segundo comunicados oficiais, a Administração de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) tem discutido a necessidade de o visitante apresentar, como parte do processo, a atividade nas redes sociais dos últimos cinco anos.

A proposta, caso seja confirmada, alcançaria viajantes de 42 países que hoje entram nos EUA sem visto, sob o Programa de Isenção de Visto (VWP). Entre os países citados como exemplos encontram-se Grã-Bretanha, França, Austrália, Alemanha e Japão, com menção de que há uma ligação com a norma que também impacta cidadãos portugueses que dependem do sistema ESTA para viajar. No fim das contas, a ideia é tornar obrigatório o envio de um conjunto de dados antes da viagem.

Para os portugueses, a exigência não se resume apenas às redes sociais. A diretiva aponta para a necessidade de assegurar a autorização ESTA, mantendo a discussão sobre o que pode mudar na prática caso as novas regras avancem. No dia a dia, a medida seria uma mudança significativa na forma como os viajantes planejam e comprovam sua elegibilidade para entrar nos EUA.

Entre os aspectos a serem considerados, estão alguns itens que vão além da presença online.

  • Dados de redes sociais dos últimos cinco anos;
  • Números de telefone usados nos últimos cinco anos;
  • Endereços de e-mail usados na última década;
  • Dados biométricos do rosto, impressões digitais, ADN e íris;

Para complementar, a CBP também indicaria a necessidade de fornecer nomes, endereços, datas de nascimento e lugares de nascimento de todos os integrantes da família do turista, incluindo as crianças. A agência, no entanto, disse abrir um prazo de dois meses para o público se manifestar sobre as potenciais alterações, oferecendo uma janela para avaliação coletiva antes de qualquer decisão final.

A justificativa citada pela autoridade envolve uma ordem executiva emitida pelo presidente Donald Trump no primeiro dia de mandato, com o objetivo de evitar atitudes hostis de visitantes em relação aos cidadãos, à cultura, ao governo e aos princípios norte-americanos. No decorrer de sua gestão, as mudanças migratórias têm sido um tema central, gerando debates acalorados em diferentes frentes. Inclusive, há referências a propostas de cobrança de tarifas adicionais em parques nacionais para visitantes estrangeiros, ampliando o conjunto de encargos que podem acompanhar a visita.

As implicações vão além de uma simples alteração burocrática. O Mundial FIFA 2026, que será realizado em parceria entre EUA, Canadá e México, poderia sentir o impacto de medidas de controle mais rígidas na imigração, com recepção de milhões de fãs aos estádios e a cidades-sede. Questionamentos sobre organização, segurança e logística já começam a aparecer, alimentados por comentários de especialistas e veículos de imprensa.

Grupos de defesa dos direitos humanos, citados pela imprensa britânica, já alertaram para o risco de transformar a fiscalização migratória numa ferramenta de propaganda de um governo com tom cada vez mais restritivo. “Este não é o comportamento de um país confiante nas suas liberdades”, comenta Sarah McLaughlin, da Foundation for Individual Rights and Expression (Fire), ao registrar a preocupação com o efeito sobre a liberdade de expressão e o direito de expressão de viajantes e turistas. A partir desse cenário, surgem dúvidas sobre como equilibrar segurança e liberdades, sem transformar a experiência de viajar em uma corrida de obstáculos.

Entre perspectivas, fica a sensação de que as mudanças propostas podem redesenhar o turismo e a forma como eventos de grande porte são recebidos no continente. No fim das contas, o leitor responde à pergunta: até que ponto informações pessoais no contexto de redes sociais realmente moldam a decisão de viajar? E você, toparia compartilhar dados tão sensíveis para visitar os EUA? A discussão segue aberta, com a expectativa de como isso pode influenciar o cotidiano de quem sonha com uma viagem ao país.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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