Venezuela anuncia libertação de “número significativo” de presos para “buscar a paz” e agradece apoio de Lula
Presidente da Assembleia Nacional não detalhou quantas pessoas nem quem serão os libertados, nem se isso implicará na absolvição total.
A Venezuela informou nesta quinta-feira (8/1) a libertação imediata de um número significativo de detentos venezuelanos e estrangeiros. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina Delcy Rodríguez. Em tom institucional, ele afirmou que, para contribuir e colaborar com o esforço de unir o país e promover a convivência pacífica, o governo bolivariano decidiu colocar em liberdade um conjunto de pessoas imediatamente.
Rodríguez acrescentou que o gesto se insere na linha de reconciliação nacional e de buscar uma vida pública mais estável. Além disso, ele agradeceu publicamente o apoio de líderes internacionais, citando o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o histórico apoio de José Luis Rodríguez Zapatero e do governo do Catar. Do lado brasileiro, autoridades afirmaram que o reconhecimento refere-se a um apoio amplo à Venezuela durante a crise, e não a um acordo específico ligado à libertação dos presos.
No entanto, o presidente da Assembleia Nacional não detalhou quantas pessoas nem quem serão os beneficiados, tampouco disse se a libertação equivaleria à absolvição total dos crimes pelos quais eram acusados. Em relação a outros desdobramentos, o Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha informou que a jornalista venezuelana com cidadania espanhola, Rocío San Miguel, foi libertada.
Entre as informações também está a confirmação de que outros quatro espanhóis também obtiveram a liberdade, gesto que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, descreveu como um ato de justiça e um passo necessário para impulsionar o diálogo e a reconciliação entre venezuelanos.
Nas últimas horas circularam rumores sobre o possível fechamento de um dos símbolos de detenção mais conhecidos do país, o edifício conhecido como Helicoide, em Caracas, depois de o ex-presidente Donald Trump anunciar, na semana anterior, o fim do que descreveu como uma “câmara de tortura” na capital venezuelana.
Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, disse ter grandes expectativas quanto à libertação de todos os chamados presos políticos, porém enfatizou que esse movimento deve acontecer dentro de um processo de reconciliação nacional e de pacificação, e não se restringir a um gesto ou a uma libertação seletiva.
Segundo o Foro Penal, até 5 de janeiro havia 806 presos políticos mantidos em cárceres venezuelanos, números que alimentam o debate sobre as condições do sistema penal no país.
Em termos mais amplos, a libertação ocorre em meio a um cenário internacional de tensão e negociações de longa data. Organizações de direitos civis têm apontado para prisões de ativistas, jornalistas e trabalhadores sindicais, entre outros. A narrativa oficial costuma enquadrar esses detidos em crimes como traição à pátria ou contra a segurança do Estado, alegando participação em planos golpistas e terroristas. No verão anterior, os EUA anunciaram a libertação de todos os norte-americanos detidos na Venezuela, notícia que repercutiu internacionalmente ao surgir o caso de alguns libertados com passagens complexas, como um cidadão de origem venezuelana condenado pelo assassinato de três pessoas em Madri, na Espanha.
No fim das contas, a libertação anunciada hoje acende uma discussão sobre o que isso significa na prática para a vida cotidiana das pessoas e para o futuro político do país. Resta observar se este será apenas um passo pontual ou o início de um processo mais amplo de distensão e de reformas que realmente alterem o panorama institucional venezuelano. E você, leitor, quais impactos você enxerga nesse movimento de libertação?