Políticos pedem que o Pentágono boicote Xiaomi e DeepSeek nos EUA
Pedido surge no contexto de uma proposta para reduzir a dependência tecnológica do hardware chinês até 2030
Novos sinais de tensão entre tecnologia chinesa e o governo americano ganharam as manchetes quando nove legisladores dos EUA assinaram uma carta dirigida ao Pentágono. O documento solicita que as empresas Xiaomi e DeepSeek sejam incluídas numa lista de companhias que teriam supostamente ligações com o exército chinês, segundo informações apuradas pela Reuters. Ainda que a medida não configure sanção formal, o movimento aponta para uma estratégia de alerta aos fornecedores de tecnologia norte-americanos sobre potenciais riscos de segurança.
Na prática, o pedido faz parte de um eixo mais amplo que envolve uma proposta de lei ligada ao governo de Donald Trump, com o objetivo de reduzir a dependência dos EUA em relação ao hardware chinês e estimular o desenvolvimento de tecnologia feita em solo americano. A linha de ação busca fortalecer a cadeia de suprimentos interna e tornar mais claro, para fabricantes e compradores, quais empresas seriam vistas como potenciais riscos à segurança nacional.
Além de Xiaomi e DeepSeek, o grupo também avançou com a participação da BOE Technology Group, conhecida por atuar no desenvolvimento de telas e displays. No conjunto, outras companhias aparecem como referências de escrutínio na lista de boicote, entre elas: WuXi AppTec, GenScript Group, RoboSense, Livox, Unitree Robotics, CloudMinds, Hua Hong Semiconductors, Shennan Circuit Co. e Kingsemi Co..
- WuXi AppTec
- GenScript Group
- RoboSense
- Livox
- Unitree Robotics
- CloudMinds
- Hua Hong Semiconductors
- Shennan Circuit Co.
- Kingsemi Co.
Entre os signatários da carta, destacam-se nomes como John Moolenaar (deputado de Michigan); Rick Scott (senador da Flórida); Rick Crawford (deputado do Arkansas); Andrew Garbarino (deputado de Nova York); Rob Wittman (deputado da Virgínia); Bill Huizenga (deputado de Michigan); Dusty Johnson (deputado de Dakota do Sul); Darin LaHood (deputado de Illinois) e Andy Ogles (deputado do Tennessee).
A ideia por trás da iniciativa é fortalecer a sinalização de riscos para fornecedores e fomentar uma reavaliação das relações comerciais com empresas de tecnologia estrangeiras. A esperança, segundo os defensores da medida, é que essas companhias possam, ao longo do tempo, sair da lista de fornecedores oficiais até o ano 2030, promovendo uma maior independência tecnológica dos Estados Unidos. Em paralelo, a indústria local ganha um ponto de apoio: a BOE fabrica peças que estão ligadas à montagem de smartphones da Apple, ilustrando como a dependência de componentes estrangeiros ainda persiste no ecossistema tecnológico americano.
No pano de fundo, o debate gira em torno de segurança cibernética, confiabilidade de suprimentos e estratégias para reduzir a vulnerabilidade da indústria tecnológica americana. A pressão recai sobre grandes nomes do setor, em meio a uma conjuntura de contenção de custos, inovação rápida e o desejo de manter a competitividade. E por fim, fica a pergunta para o leitor: o que muda no dia a dia de quem consome tecnologia e de quem trabalha com compras e fornecimento, quando políticos intensificam esse debate sobre parcerias e riscos?